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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Preconceitos na Contramão da Inclusão Social.

Preconceitos na Contramão da Inclusão Social.


Romeu Kazumi Sassaki, 2/09/2008.
Preconceitos inofensivos não existem, todos os preconceitos machucam. Ou "Pimenta nos olhos dos outros é colírio". De fato, uma palavra maldosa, escrita e oral, ou uma imagem, quando não se refere diretamente a nós, pode até parecer inocente, engraçada, nada preconceituosa etc. E quase nunca nos damos conta do quanto uma palavra ou imagem preconceituosa pode machucar os outros. Vejamos alguns exemplos da vida real.


Atribuindo um conceito que não é da pessoa (1)
"Porque você parece uma retardada mental". Esta foi a justificativa do diretor Woody Allen quando demitiu a atriz Annabelle Gurwitch da peça Writers´s Block (bloqueio de escritor) que ele ensaiava. Depois de chorar por 12 horas, ela falava a quem encontrasse: "Fui demitida por Woody Allen. Por telefone". (Sérgio D'Ávila, Revista da Folha-FSP, 20/3/05, p.27).


Atribuindo um conceito que não é da pessoa (2)
Uma resposta inacreditável foi dada por uma escola pública quando um de seus professores foi denunciado por haver comparado a atitude de um aluno com a de uma pessoa homossexual. Vejamos como aconteceu.
Em abril de 2004, um aluno da Escola Estadual Professor Otacílio de Carvalho Lopes, que por distração não havia respondido a chamada na aula de História, pediu presença ao professor. Este discutiu com o estudante e mandou-o que "parasse de imitar uma bicha". O pai do adolescente, no mesmo dia, registrou o Boletim de Ocorrência e abriu procedimento administrativo contra esse professor, na diretoria da escola.
O caso foi encaminhado à Diretoria de Ensino Leste 4, órgão da Secretaria Estadual de Educação, e originou um processo. Na resposta, o órgão "afirma que 'bicha' não é termo chulo e reconhece que professores podem usá-lo em sala de aula para manter um relacionamento amistoso com a turma". A Secretaria informa que, depois de uma reavaliação, o caso passou para a 1ª. Comissão Processante Permanente, onde está atualmente (março/2005). A comissão deve convocar testemunhas de defesa e acusação nos próximos meses, para dar seu parecer sobre o caso (Daniel Gonzales e Arthur Guimarães, em "O uso do termo 'bicha' por professores", O Estado de S.Paulo, 24/3/05).
Então, "para manter um relacionamento amistoso com a turma", os professores estão liberados para chamar qualquer aluno de "bicha", mesmo que ele não seja? Os fins justificam os meios?


Ofendendo um atributo da pessoa
Ana Luiza, uma estudante negra com 10 anos de idade conta que, por causa das brincadeiras preconceituosas dos colegas, mudou de escola duas vezes. Ela é filha de uma família de classe média de Mesquita (cidade na Baixada Fluminense) e sempre estudou em colégios particulares. Por onde passou, ela teve de conviver com o fato de ser a única aluna negra da classe ou até mesmo da escola. Como os professores e a escola nada faziam para mudar essa situação, ela diz que chegou a perder o interesse pelos estudos. "Falavam que eu tinha cabelo duro, de bombril. Eu reclamava com os professores, mas eles não faziam nada". Ana Luiza dá a sua receita para agir em caso de preconceito: "Quando fazem isso comigo, eu vou lá e falo que racismo é crime e que eu vou processar e reclamar com a diretora".
A mãe dela, a técnica de laboratório Fátima Monteiro, 35, se sentiu orgulhosa com a postura de Ana Luiza: "No meu tempo de estudante, eu voltava para a casa chorando, sem dizer nada. Mas ela aprendeu a se defender e conversa comigo e com os professores quando se sente discriminada." (Folha de S.Paulo, 18/5/03, p. C7).


Ridicularizando muita gente ao mesmo tempo (1)
Corria o ano de 1995. Dois filmes, cujos personagens principais tinham deficiência, estavam entre os finalistas do Oscar, da Academia de Cinema de Hollywood: "Forrest Gump, o Contador de Histórias", em que Tom Hanks faz o papel de um adulto com deficiência intelectual, e "Nell", no qual Jodie Foster interpreta uma mulher com autismo.
David Drew Zingg era colunista do jornal Folha de S.Paulo e, na véspera da premiação, escreveu um artigo, cujo título já revelava a postura preconceituosa dele: "E o Oscar vai para... quem for mais burro". No subtítulo, mais uma ofensa a pessoas com deficiência: "Favoritos são 'Nell' e 'Forrest Gump', filmes que agradam quem tem dificuldade em amarrar o sapato de manhã".
Para começar, David Zinng, além de mostrar que não sabe a diferença entre autismo e deficiência intelectual, ofendeu simbolicamente pessoas como Forrest e Nell, chamando-as de "burros". Mas ele não está nem aí com as diferenças. Está mais interessado em criticar a Academia por "premiar" personagens que não merecem o respeito dele. A seguir, alguns trechos do artigo, em que os cegos também são citados, no mau sentido:

"Chegou a hora do Oscar na Cidade do Brilho, e os principais prêmios estão indo para os burros. Nosso mundo está ficando burro e mais burro ainda. 'Forrest Gump' é um filme que glorifica a burrice. 'Nell' - que David Letterman chama, apropriadamente, de 'Noiva de Gump' - faz o mesmo. Ambos equacionam QI baixo com bondade interior. Isso é tranqüilizador para milhões de pessoas que acham o pensar rápido um processo doloroso, mas é uma afronta a quem já leu um livro inteiro. (...)
Esses filmes retratam a inteligência como vilã da vida. (...) O que deve fazer uma mulher se o homem se magoa com uma piada de 'homem burro'? Pode dizer: 'Claro que eu não estava falando de você, querido'. A maioria dos homens é tão cega - cegueira induzida pela testosterona - que acredita nisso. (...)
Esses filmes que louvam a burrice devem faturar uma penca de Oscars. (...) Abaixo da superfície, eles equacionam virtude com falta de inteligência. Quanto mais burros o herói e a heroína, melhores as pessoas reais seriam. São filmes anti-intelectuais, dos mais sedutores. Neles, a estupidez vira virtude e a inteligência, um lado negativo. (...) Nell não sabe nem dirigir um carro. O espectador que não consegue entrar na internet sente-se tranqüilizado e feliz vendo Jodie Foster curtir sua vida primitiva. A linha de pensamento 'burrice é boa' nega o esforço histórico do homem para entender o que o diferencia dos outros mamíferos, sem falar em aves, abelhas e pedras." (Folha de S.Paulo, 23/3/95).



Ridicularizando muita gente ao mesmo tempo (2)
No dia 14 de outubro de 1999, Claudio Vereza, representando o Centro de Vida Independente do Espírito Santo, escreveu: "Companheiras(os), estava voltando feliz pra casa. Afinal foram três dias intensos e repletos de conteúdo positivo para a caminhada em busca da cidadania plena das pessoas com deficiência no Brasil, no I Congresso Empresariado, Trabalho e Deficiência, de 7 a 9, realizado pelo CVI-RJ. A partir de leis, que começam a ser cumpridas, ou de programas de capacitação profissional e de inserção no disputadíssimo e escasso mercado de trabalho, essas pessoas vão construindo a almejada 'vida independente', podendo decidir, pela própria vontade, os rumos de suas vidas, não mais tuteladas por outrem. De repente, na última página do segundo caderno de O Globo do domingo, 10/10/99, deparo-me com esta desagradável, infeliz e preconceituosa coluninha, assinada por um 'engraçadinho' Jorginho Guinle, dentro da coluna maior de Agamenon com o seguinte conteúdo":

Freak Jazz Festival, por Jorginho Guinle.

O Freak Jazz vai começar. Sou apaixonado pelo jazz, mas nos meus momentos de lazer prefiro ouvir música. O Jazz é um ritmo sensual, ideal para se comer gente. Toda vez que eu boto um disco de jazz na vitrola lá em casa, as mulheres resmungam: 'Por que você não bota outra coisa?'. Bebop, traditional, dixieland, swing, cool, jazz... existem várias formas de expressão para o jazz, mas a mais quente, na minha opinião, é o freak jazz, que é o jazz executado por deficientes físicos. Este ano teremos o pianista cego George Shearing, já tivemos Michel Petrucciani, que era anão, e o saxofonista Eddie Pinzolini, que transformou o seu exagerado defeito físico num novo instrumento musical, o jepophone, um tipo de trombone de vara. Esse ano também teremos percussionistas mancos, guitarristas manetas e até o físico Stephen Hawking, que vai tocar cadeira de rodas. O que prova que o freak jazz é igual ao cigarro: faz mal à saúde e não deve ser tocado na frente das crianças.

Continua Claudio Vereza: "Indignação, decepção, revolta! Afinal, um jornal desse vulto conta com manuais de redação e de ética jornalística, onde uma nota de tanto mau gosto é totalmente inadmissível. Aprendi, na luta, a transformar a indignação em ação. Por isto, quero aqui convocar a todos para enchermos a direção de O Globo de cartas, telegramas, faxes, e-mails, telefonemas etc., colocando nosso protesto e exigindo retratação imediata e no mesmo espaço. Solicito também que o CVI-Brasil e o CVI-RJ estudem, em caráter de urgência, a possibilidade de processo judicial, seja recorrendo ao Ministério Público ou a quem de direito. Não podemos admitir 'brincadeiras' retrógradas e ilegais como esta! (E logo no caderno Dois, onde as questões culturais deveriam ter destaque central). Vamos reagir, companheiras(os). Passe esta mensagem à frente, enviem agora o seu protesto ao Jornal O Globo! 'Quem sabe faz a hora!'. Endereços de O Globo: http://www.oglobo.com.br , (21) 534-5000 Redação e (21) 534-5656 Globofax. Abração. Claudio Vereza, CVI-ES".


Analogias preconceituosas envolvendo o autismo.
O leitor João Diógenes Caldas Salviano, de Recife, na carta que enviou ao Fórum dos Leitores do jornal O Estado de S.Paulo (18/3/02), revela, quiçá inadvertidamente, sua noção equivocada sobre o autismo. E, ao apontar (conscientemente, é claro) os parlamentares como "autistas" , ele demonstra sua total falta de respeito pelas pessoas com autismo. Aproveitou o título do programa televisivo "Casa dos Artistas", que estava em voga, para construir o trocadilho "casa dos autistas". O jornal, por sua vez, valorizou o trocadilho, utilizando-o como título da carta. Não estou aqui analisando o mérito ou demérito do tema "CPMF, reforma tributária, tucanos e pefelistas", que o leitor João Salviano abordou. Estou reprovando a atitude preconceituosa embutida na analogia que ele fez entre "pessoas com autismo" e "parlamentares dissociados da realidade, retroalimentando apenas o ego e a vaidade sem limites racionais". Reproduzo abaixo a referida carta.

FÓRUM DOS LEITORES, O Estado de S.Paulo, 18/3/02.
Casa dos autistas
A crise entre tucanos e pefelistas nada traz de positivo ao brasileiro. Seria interessante se a maioria da classe parlamentar derrubasse essa CPMF e fizesse urgentemente a reforma tributária simples, objetiva e transparente, em benefício dos consumidores e dos produtores. Políticas públicas sim, CPMF não. Daqui a pouco nos livraremos dos nojentos reality shows de vazio cultural total e QI zero. Mas será que, nestes oito anos de tucanato com pefelistas e peemedebistas, não estaremos participando da "casa dos autistas", dos que vivem dissociados da realidade social, retroalimentando apenas o ego e a vaidade sem limites racionais?! - João Diógenes Caldas Salviano, Recife.



Deficiência associada à incompetência.
A revista Exame, na edição 659 (15/4/98), presta um desserviço à causa internacional da inclusão social de pessoas com deficiência, em particular das pessoas cegas.



Na capa aparece uma foto que mostra um senhor, de óculos escuros, bem trajado, de pé e segurando com a mão esquerda a correia afivelada a um cão-guia. A foto, para realçar a idéia de escuridão, está em branco e preto ocupando toda a capa, tendo ao lado o seguinte texto:

POR QUE OS ECONOMISTAS ERRAM TANTO? Eles são as grandes estrelas da bilionária indústria de previsões. Mas atenção: se você quer saber o futuro, talvez o mais eficaz seja jogar a moeda para o alto.

Eu pergunto: Por que profissionais da mídia insistem em associar a figura de uma pessoa cega com a idéia de "errar tanto"? Só porque ela não vê? A mensagem e a foto, juntas, sugerem que uma pessoa cega acerta menos que uma moeda jogada para o alto.
O médico Ruy do Amaral Pupo Filho escreveu para a revista: "Ao usar a imagem de uma pessoa que tem uma deficiência para ilustrar e caracterizar a idéia de um profissional ineficiente, incapaz, 'que erra tanto', a revista Exame comete um grave erro. Sua atitude reforça o preconceito que sofrem as pessoas com deficiência de que são incompetentes ou incapazes."
Invariavelmente, nestes casos, a resposta que recebemos é aquela de que não houve intenção de ofender as pessoas com deficiência, como alegou a Redação da revista:

"Agradecemos a sua mensagem. A propósito do seu comentário sobre a utilização da foto de um deficiente visual na capa, lamentamos que a imagem possa causar um efeito negativo. Não tivemos a intenção de tratar a questão de forma pejorativa ou de reforçar qualquer preconceito".

Este tipo de resposta é previsível e é inaceitável. Pois, ninguém vai responder que "fez com a intenção de ofender". E, por isso, 'tudo termina em pizza': "perdoamos o ofensor porque ele ofendeu sem querer". A valer este raciocínio, todos os ofensores serão perdoados, mesmo que tenham ofendido propositalmente; bastará, depois, alegar que não tiveram a intenção de ofender e pronto.
Precisamos educar o público, a sociedade. Devemos registrar as manifestações preconceituosas e os atos discriminatórios. Devemos ajudar a sociedade a aprender onde está o preconceito e a entender os danos que ele causou.


Comparando objetos com pessoas.
A revista Exame, na edição n. 660, de 22/4/98, traz uma breve matéria assinada por Pedro Mello à página 103. Ele escreveu o seguinte trecho ao comentar sobre o desempenho de Nino, um computador de mão:

"Por enquanto, vale lembrar que o Windows CE já é uma versão meio aleijada do Windows 95. Como o Windows que equipará o Nino é uma versão reduzida do Windows CE, é bem capaz que seja paraplégica. Afinal, é a versão reduzida da versão reduzida."

Neste caso, as palavras "meio aleijada" e "paraplégica" foram utilizadas para se referir, respectivamente, a dois computadores de menor capacidade, o que configura uma analogia injusta e preconceituosa para com as pessoas com deficiência.
Após escrever para a revista, recebi a seguinte resposta:

"Infelizmente, escapou ao colaborador Pedro Mello e ao editor que a analogia poderia denotar preconceito na frase em questão. De qualquer forma, asseguramos que redobraremos os esforços para evitar que fatos como esse se repitam".

Em 20/4/98, o ativista Marco Antonio Ferreira Pellegrini escreveu para Pedro Mello: "Estou extremamente ofendido pela analogia preconceituosa e discriminatória, para mim inédita escrita por um profissional da comunicação e tecnologia". E acrescentou algumas das atividades que ele exercia no Metrô de São Paulo com o intuito de conscientizar o jornalista sobre o significado das expressões 'versão reduzida do reduzido', 'meio-aleijada' etc.".
Em 21/4/98, o também ativista Fernando Machado enviou a seguinte mensagem para Pedro Mello: "Toda pessoa que opta por informar deve ter respeito, sensibilidade, conhecimento e saber fazer das palavras e expressões uso adequado. Cabe ao jornalista informar. De modo claro, sem precisar empregar expressões que possam atingir pessoas. Foi o caso de sua reportagem na revista Exame, quando cita que o programa é uma versão 'meio-aleijada' e 'paraplégica'. No momento em que as pessoas com deficiência buscam sua inclusão na sociedade com respeito e dignidade, o emprego dessas palavras denota, no mínimo, uma profunda discriminação".
Em 7/5/98, a psicóloga Cristiane Mariano e a assistente social Marli Mariano dirigiram a seguinte mensagem à revista Exame, referindo-se às edições 659 e 660: "Consideramos estas analogias injustas e preconceituosas para com as pessoas com deficiência. Associar a imagem da pessoa com deficiência visual à incompetência dos economistas ou ainda comparar uma pessoa com deficiência física a um software obsoleto e ultrapassado é, no mínimo, grosseiro e discriminatório. Gostaríamos de expressar nossa indignação a esse respeito, visto que temas como a inclusão social, queda de barreiras arquitetônicas e equiparação de oportunidades estão sendo discutidos na atualidade. Nossa pretensão não é apenas a de registrar um protesto ou expressar nossas opiniões, mas também de propor uma reflexão acerca dos conceitos, das palavras que foram utilizadas e a conotação que foi atribuída às mesmas. Refletir sobre uma atuação mais justa, que possa promover uma melhor qualidade de vida às pessoas, que nos leve a incluir em nossa vida aquilo que muitas vezes desprezamos no outro, mas que pode ser um reflexo de nossos limites e preconceitos".


Desserviço à imagem da pessoa com autismo.
Na entrevista concedida a Rafael Cariello, da Folha de S.Paulo, o cientista político Renato Lessa utilizou duas vezes a palavra "autista" para apontar aspectos depreciativos do comportamento de governantes e congressistas. Por sua vez, o jornalista repercutiu essa palavra por três vezes ao abrir sua matéria em 15/5/05: uma no título em letras garrafais e duas na introdução.
A utilização do adjetivo "autista" no contexto tratado pelo entrevistado configura um exemplo de desserviço à imagem da pessoa com autismo. Inadvertidamente, foi passada ao leitor a idéia equivocada de que o comportamento das pessoas com autismo teria a mesma característica negativa apontada nas ações do Executivo e do Legislativo.
Tal uso vem na contramão da história, pois hoje aceitamos as diferenças individuais da pessoa com deficiência como atributos dignos de respeito e valorização.
Nos trechos da matéria, escaneados e abaixo transcritos, grifei os cinco trechos em que o termo "autista" foi utilizado indevidamente.

Governo e Congresso têm comportamento autista, afirma Lessa.

RAFAEL CARIELLO, da Sucursal do Rio
Folha de S.Paulo, 15/5/05.

O cientista político Renato Lessa afirma que governo e Congresso agem de forma autista e predatória. A lógica do Executivo e do Legislativo, diz ele, é de uma dupla e simultânea captura: um tenta ocupar cargos na administração, o outro, conquistar maiorias.
Diz o professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro: "Se essa agenda ficar por muito mais tempo confinada a relação entre esses dois atores, a sociedade de alguma maneira vai tender a ultrapassar essa agenda. É difícil pensar a sustentabilidade indefinida de um padrão autista".
Folha - Tal padrão é modificável?
Lessa - A modificação, se vier, virá de fora para dentro. Machado de Assis sugeria que a gente olhasse o Legislativo do ponto de vista das galerias. Se essa agenda ficar por muito mais tempo confinada à relação entre esses dois atores, a sociedade de alguma maneira vai tender a ultrapassar essa agenda. É difícil pensar a sustentabilidade indefinida de um padrão autista.
Folha - Ele também disse ver riscos de uma crise semelhante à ocorrida no governo João Goulart.
Lessa - É uma ameaça retórica. Essa crise atual nada tem a ver com o quadro do Goulart. (...) Há quem acredite que para entender a política é preciso entender a relação entre Executivo e Legislativo. É uma visão autista. Para quem pensa assim, o governo Goulart caiu porque perdeu a sustentação parlamentar, mas não leva em conta o que acontecia no ambiente social.



Dorinha, a nova personagem da Turma da Mônica.
A primeira história de Dorinha, ilustrada na edição n. 221, da revista Mônica, de novembro de 2004, mostra a maneira positiva como essa personagem e o seu cão-guia Radar entram em contato pela primeira vez com a Turma da Mônica. Dorinha logo estabelece ótimas relações de amizade com a Mônica, o Cebolinha, o Cascão, a Marina e a Magali. Dorinha mostra estar bem resolvida com a deficiência que possui (cegueira). Sabe andar com o cão-guia e com a bengala dobrável, assim como sabe lidar com as reações das pessoas. De bom humor e autoconfiante, ela está com seus sentidos de audição (p. 9 a 17), tato (p. 11) e olfato (p. 16) sempre conectados com tudo o que ocorre no ambiente em seu entorno. As situações focalizadas são simples e, através delas, o leitor percebe que Dorinha mostra suas habilidades com naturalidade, sem ostentação.
Na condição de criança, Dorinha é apresentada como igual às outras crianças. Na condição de cega, a imagem de Dorinha é positiva, digna, simpática. Em suma, é louvável a idéia de Maurício de Sousa no sentido de inserir, na Turma da Mônica, uma criança com deficiência que tenha as características físicas, sociais e emocionais de Dorinha. Histórias em quadrinhos podem constituir um dos meios de conscientização de crianças a respeito da inclusão social de grupos vulneráveis, excluídos. Mas não por serem histórias em quadrinhos e sim pela correta construção de personagens e situações nessas histórias.
Por esse motivo, três detalhes precisam ser apontados na primeira história de Dorinha.
Primeiro, a bengala nunca aparece dobrada; quando ela aparece, está sempre estendida. De um quadrinho ao outro, a bengala simplesmente desaparece. Os desenhos não mostram onde a bengala poderia estar quando Dorinha não a está usando.
Segundo, em nenhum momento foi utilizado o termo "cão-guia", cuja divulgação se faz tão necessária para a conscientização do público.
Terceiro, cada personagem da Turma usa apelidos para provocar os demais: Cebolinha chama a Mônica de "golducha" (p. 4 e 11); Cascão chama a Mônica de "dentuça" (p. 5); Mônica chama o Cascão de "sujinho" (p. 5); Cebolinha se refere aos "dentões" da Mônica (p. 11); até Dorinha se refere à "fama de sujinho" do Cascão (p. 15) e à Magali como "a comilona da turma" (p. 15). Apelidos inocentes? Nem tanto. Hoje, pais e professores estão tomando consciência de um fenômeno escolar chamado "bullying", o perigoso hábito de usar apelidos pejorativos com os quais muitas crianças acabam destruindo a auto-estima e até a vida de alguns colegas seus.
Para saber mais sobre "bullying": 1. Revista Nova Escola, edição n. 178, dezembro/2004 ("Bullying - Como lidar com 'brincadeiras' que machucam a alma. Acabe com apelidos, fofocas e comentários maldosos, tão comuns da escola", p.58-61). 2. Revista Época, edição n. 315, maio/2004 ("Sutil e cruel agressão. Pesquisa comprova que apelidos, provocações e outras formas de violência verbal e física entre crianças deixam marcas profundas", p.54-61). 3. Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes (site: www.bullying.com.br ).


Mônica e Magali têm um novo amigo.
Completando seu plano de acrescentar dois personagens com deficiência às histórias da Turma da Mônica, Maurício de Sousa lançou no n. 222 da revista Mônica, edição de dezembro de 2004, um menino que utiliza cadeira de rodas.
À semelhança de Dorinha, uma menina cega apresentada no n. 221 da mesma revista, este menino também faz sua estréia de uma forma positiva ao ser referido como "um gatinho, gatérrimo" (p. 4) pela Magali em sua animada conversa com a Mônica. Nos dois terços iniciais da história, Magali e Mônica conversam com muita empolgação a respeito do garoto e acabam indo até a casa dele "só para dar uma espiadinha". Cada detalhe que vêem (marcas no gramado, porta larga, rampa, pia e espelho baixos, barras de apoio junto ao vaso sanitário etc.) é interpretado por elas sem saberem que o menino anda em cadeira de rodas. Ele então aparece apenas no terço final da história e explica todos esses detalhes com naturalidade, inclusive demonstrando com prazer como ele os utiliza.
Por fazer parte de um plano do desenhista Maurício para possibilitar a interação entre crianças com deficiência e os antigos personagens da Turma da Mônica, a história deste novo amigo precisa ser analisada também pelo ângulo crítico. A tradicional tendência de dar um apelido a todos os seus personagens fez com que Maurício acabasse eliminando (deliberada ou inadvertidamente) o nome do novo personagem. No primeiro contato com Mônica e Magali, o próprio menino diz que "... (todos) me chamam de Da Roda" (p. 22). No último quadrinho, as meninas dizem: "Bem-vindo à turminha, Da Roda!" (p. 25). É o apelido sobrepondo-se ao nome, ao contrário do que é extremamente importante na construção da nossa identidade pessoal na vida real. Além disso, o apelido "Da Roda" ressalta a cadeira de rodas e não a pessoa que a utiliza. Esta é uma das armadilhas comuns em que caem pessoas desejosas de valorizar a questão da deficiência sem se darem conta do preconceito embutido. Observação: Foi divulgado na internet que Maurício de Sousa falaria, pelo bate-papo da UOL em 17/12/04, sobre este novo personagem cujo nome seria Luca e cujos apelidos seriam "Paralaminha" e "Da Roda". Na história que chegou às bancas de jornal no dia 20 dezembro não se confirmaram o nome Luca e o apelido "Paralaminha".
Histórias em quadrinhos, mesmo focalizando personagens infantis, não estão isentas de apresentar um mínimo de precisão técnica, já que a intenção do desenhista é a de divulgar exemplos de inclusão social em relação às pessoas com deficiência. E nesta nova história percebem-se as seguintes falhas técnicas: 1. A cadeira de rodas não tem aros propulsores (capa, p. 22, 24 e 25) e, por isso, o personagem "Da Roda" segura os pneus das rodas para movimentar a cadeira, o que é incorreto; 2. A cadeira possui um único apoio para os pés (capa, p. 20 a 25), seguindo um modelo muito antigo, incompatível com a realidade do personagem; 3. A rampa na entrada da porta é muito curta e a inclinação é inadequada (p. 13, 22, 24 e 25); 4. A cesta de basquete está baixa demais (p. 10 e 23); 5. O vaso sanitário está colocado longe da parede lateral (p. 17 e 21), fazendo com que a respectiva barra de apoio fique fora de alcance; 6. A outra barra de apoio (que está pregada no chão ao lado do vaso sanitário) deveria ser afixada atrás do vaso sanitário. Outra solução seria a de manter a barra afixada no chão e mudar a outra barra para trás do vaso; 7. O espelho está colocado verticalmente (p. 16, 20 e 21) quando deveria estar ligeiramente inclinado; 8. O modelo da maçaneta da porta (p. 12) não é adequado. Portanto, são falhas que poderão e precisarão ser corrigidas nas próximas histórias.
Destaquem-se, na história de "Da Roda", os detalhes corretos do ponto de vista da acessibilidade: a maçaneta da porta (p. 22 e 25) e o abridor da torneira seguem modelos aprovados; a cesta de basquete desenhada na capa está colocada numa altura razoável; e a pia do banheiro não tem coluna de apoio, o que facilita a aproximação da cadeira de rodas.


Associando rodovias ruins a pessoas em cadeira de rodas.
No caderno Economia, do jornal O Estado de S.Paulo, o colunista Joelmir Betting escreveu a respeito do péssimo estado em que se encontravam as rodovias brasileiras. O conteúdo em si, focalizando o descaso das autoridades, não tem nada de errado. O problema está na analogia que ele fez ("rodovias ruins = pessoa com tetraplegia"), analogia esta enfatizada pelo título "Em cadeira de rodas". Escrevi então para o jornal, nos seguintes termos:

Ao
FÓRUM DOS LEITORES
fórum@estado.com.br
São Paulo, 18 de janeiro de 2000.
Senhores:
Na excelente matéria "Em cadeira de rodas" (18/1), Joelmir Betting se refere ao "transporte rodoviário, apresentado como o grande vilão de um Brasil quase tetraplégico nesta vigília do século 21." Quiçá inadvertidamente, ele utilizou analogias preconceituosas, segundo as quais usar cadeira de rodas ou ser tetraplégico são coisas ruins. No título está implícita a mensagem de que o Brasil anda em cadeira de rodas porque suas rodovias não funcionam. E o texto associa a figura de pessoas tetraplégicas com a imagem negativa de um Brasil cujo sistema rodoviário está quase paralisado. A mídia deve apontar a precariedade dos serviços públicos e privados, mas tomando o cuidado para não reforçar estereótipos a respeito deste ou daquele segmento da população. - Romeu Kazumi Sassaki, Código de assinante: 02310852-5, e-mail: romeukf@uol.com.br.

Lamentavelmente, o jornal não me respondeu.


Comparando incompetência de fiscal com a cegueira.
Em 23/1/03, escrevi para o jornal O Estado de S.Paulo a propósito de uma charge que ele inseriu com o intuito de ilustrar a incompetência de um fiscal da Prefeitura do Município de São Paulo. Eis a carta:

Senhores:

Em 20/1, na seção São Paulo Reclama, foi publicada a carta nº 14.450, de Renata de Lucca, que reclama sobre "uma água gosmenta e fétida (parece esgoto), nojenta e suja", que escorre de um muro de uma propriedade, acrescentando que, após sua reclamação na Prefeitura, um fiscal vistoriou o local e escreveu no relatório: "nada vi, não constatei qualquer tipo de líquido escorrendo a céu aberto". Para ilustrar isto, o jornal inseriu um desenho [copiado abaixo], objeto do meu protesto. Nele, o fiscal é apresentado como um cego (de óculos pretos e bengala) segurando uma prancheta com o relatório, de costas para um buraco no muro de onde sai a tal água gosmenta e fétida. O ilustrador, ao apoiar a reclamante, fez uma analogia desastrosa. Mais uma vez se concretiza o velho preconceito sobre pessoas cegas, desta vez associando a incompetência do fiscal com a cegueira. E outra: além de não ver, esse cego não sente o odor fétido da água? O desenho, vinculado ao fiscal que não viu nada, constitui uma ofensa à imagem das pessoas com deficiência visual.
Estão recebendo cópia deste e-mail líderes e entidades de direitos de pessoas com deficiência (visual, física, auditiva, intelectual e múltipla) de diversos pontos do Brasil. - Romeu Kazumi Sassaki, Código de assinante: 02310852-5, e-mail: romeukf@uol.com.br.



Desta vez, o jornal me respondeu, porém laconicamente:

De: FaleCom [falecom@estado.com.br]
Enviado em: sexta-feira, 24 de janeiro de 2003 12:10
Para: romeukf@uol.com.br
Assunto: Jornal O Estado de S.Paulo: Preconceito - crítica "S.Paulo Reclama"
Sr Romeu,
Agradecemos sua manifestação e informamos que sua mensagem foi encaminhada a nossa coluna "S.Paulo Reclama" cujo e-mail é sprec@estado.com.br
Estaremos sempre a sua inteira disposição.
Atenciosamente,
Milton
Atendimento ao Leitor
S/A O Estado de S.Paulo.



Humorismo preconceituoso.
As duas imagens acima inseridas representam "ilustrações" de algum conteúdo escrito. As categorias de deficiência mais utilizadas por chargistas preconceituosos são a cegueira e a deficiência física (geralmente, do tipo paraplegia). Por coincidência, ambas as imagens focalizam uma pessoa cega.
Para terminar este artigo, vou inserir um exemplo de "humorismo maldoso". Na charge abaixo, uma 'brincadeira de mau gosto', feita para divertir o público por conta de um dos estereótipos mais utilizados sobre pessoas cegas: a dificuldade de fazer certas coisas por não enxergarem. A cena é de uma cozinha, onde o microondas está ligado e dele sai uma grossa fumaça escura. No cadeirão de bebê, está "sentado" um enorme peru, já depenado e sem a cabeça, e com um babador em torno do pescoço. Um homem cego (de óculos escuros, de pé e segurando sua bengala) está ao telefone fixo, dizendo: "Está tudo bem, querida, botei o peru no microondas e estou dando a papinha do bebê!!".



Repito: preconceitos inofensivos não existem, todos os preconceitos machucam. Devemos estar atentos permanentemente: filmes de cinema, novelas de TV, reportagens em todos os meios de comunicação. E denunciar o cometimento de ações preconceituosas e discriminatórias. Mas também ensinar, educar o público, mostrando como e onde os preconceitos e discriminações se apresentam. Sim, vale a pena o trabalho de conscientizar a sociedade. Todas as vezes em que interviemos, fizemos a diferença: a cada intervenção, acrescentamos um tijolo na construção de uma sociedade inclusiva.
http://www.bengalalegal.com/contramao.php

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Moções Aprovadas na II Conferência Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência/RJ

Moções Aprovadas na II Conferência Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência/RJ
COMUNICAÇÃO COM RESPEITO E RESPONSABILIDADE-MOÇÃO APROVADA
Moção aprovada na II conferência Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Estado do Rio de Janeiro-dias 27,28,29 de agosto.

REDE INCLUSIVA - redeinclusivajuntoseducacaoparatodos@yahoogrupos.com.br
Contato: redeinclusiva@gmail.com

Claudia Grabois
Inclusão-Ampla, Geral e Irrestrita

MOÇÃO DE REPÚDIO AO USO INADEQUADO DA PALAVRA "RETARDADO"

COMUNICAÇÃO COM RESPEITO E RESPONSABILIDADE

Por ocasião da II Conferência Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência e da II Conferência Estadual de Direitos Humanos, aproveitamos para pedir aos meios de comunicação que voltem neste momento a sua atenção para esta carta que verbaliza a nossa indignação.

Somos pessoas com deficiência intelectual,mães, pais, profissionais, parceiros, amigos, movimentos organizados mas principalmente somos pessoas que defendem os direitos humanos e direitos fundamentais das pessoas com e sem deficiência.

Temos visto ultimamente um aumento do uso de terminologias inadequadas e de agressão gratuita às pessoas com deficiência intelectual nos meios de comunicação e o que tem imperado é a falta de respeito à pessoa, com o uso indiscriminado da palavra "Retardado" e é de se admirar que aconteça em um país onde discriminar é crime.

O uso desta palavra em programas de televisão e em outros meios ensina abertamente à população e principalmente aos jovens que pessoas com deficiência intelectual podem ser usadas para escárnio, chacota e piadas para desmerecimento de alguém dando a entender que não tem capacidade e principalmente não tem direito a cidadania plena.

O que aumenta ainda mais a nossa indignação é que recentemente tivemos promulgada a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que já foi inclusive depositada na ONU e muito embora tenha sido pauta por uma vez em 1 ano em uma canal nacional, não tivemos acesso a imprensa durante a longa caminhada pela ratificação.Talvez por isso mesmo os meios de comunicação não conheçam seu teor e seu valor equivalente a emenda constitucional, o que é lamentável.

Pessoas com deficiência intelectual são pessoas como qualquer outra, com suas necessidades específicas. Por isso não entendemos o uso da palavra retardado para qualificar e zombar, diminuir, desvalorizar e desqualificar, quando a imprensa formadora de opinião deveria estar conosco combatendo preconceitos.

Queremos acreditar que seja simplesmente falta de conhecimento, muito embora seja uma crença difícil mas vamos em frente. Não queremos mais que nós, nossos filhos, nossos amigos, estudantes,trabalhadores,profissionais em geral continuem sendo vítimas da linguagem inadequada causada pelo desconhecimento.

Por isso se refiram às pessoas com deficiência com o mesmo respeito que se referem a todas as outras pessoas, sem preconceito, sem discriminação e sem chacota. Não usem o "retardado" para xingar ou rir de outras pessoas, não as transformem em piada por que não o são e mais do que falta de respeito agir assim é agir também contra a lei que defende os direitos humanos e direito a igualdade e cidadania para todas as pessoas.

Pessoas com deficiência intelectual são simplesmente pessoas como qualquer outra assim como você e quando respeitosamente quiserem fazer qualquer referência à deficiência falem pessoa com deficiência intelectual, pessoa com deficiência ou pessoa com... seguido do nome da síndrome.

Meios de comunicação como formadores de opinião e profissionais destes veículos tem grandes responsabilidades e algumas delas são respeitar todas as pessoas e respeitar a legislação vigente. Esperamos que o termo 'retardado' não seja mais utilizado da forma que vem ocorrendo sistematicamente e para isso estaremos acompanhando atentamente em defesa dos nossos direitos, dos direitos dos nossos filhos e de todos que lutam por um Brasil livre de discriminação e preconceitos.

Inclusão Ampla, Geral e Irrestrita
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PELO DIREITO À INCLUSÃO PLENA DE TODAS AS CRIANÇAS-MOÇÃO APROVADA
Moção aprovada na II Conferência Estadual dos Direitos das Pessoas
com Deficiência do Estado do Rio de Janeiro-dias 27,28 e 29 de agosto.

REDE INCLUSIVA - redeinclusivajuntoseducacaoparatodos@yahoogrupos.com.br
Contato: redeinclusiva@gmail.com

Claudia Grabois
Inclusão Ampla, Geral e Irrestrita

Pelo Direito à Inclusão Social Plena para TODAS as Crianças!

Tendo em vista que 70% das pessoas com algum tipo de deficiência vivem à margem da pobreza e em estado de vulnerabilidade e neste montante existem milhões de crianças, pois falamos em aproximadamente 25.000.000 de pessoas, é necessário pensarmos no presente e futuro desta geração que compõe um contingente ainda maior de crianças pobres, sem acesso à educação de qualidade, à saúde, aos transportes, ao lazer e a dignidade.

É preciso que voltemos a nossa atenção para estas crianças que são diariamente discriminadas e vítimas de preconceito das mais variadas formas.
São crianças com deficiência,de grupos étnicos diversos,que fazem parte da população indígena, ribeirinha, cigana,fazem parte da população das favelas, das áreas carentes, sem saneamento, sem cama, sem brinquedos e muitas vezes sem comida.
Pedimos uma atenção especial para a infância que vive em situação de risco e com pouca esperança de futuro.É urgente: pela vida, pela cidadania ,pela integridade, pelo direito à existência e por tudo que leis e estatutos já garantem mas que não são cumpridos.

Lugar de criança com ou sem deficiência é na ESCOLA, todas juntas no mesmo espaço, em horário integral.Crescendo nas classes inclusivas,tendo a possibilidade de se educar da melhor forma e assim desenvolver todas as suas habilidades e potencialidades. Deficiência não é doença, mas a segregação sim e aumenta o risco de doenças em crianças com e sem deficiência. Por nós e pelos nossos filhos vamos ajudar a construir um mundo mais justo para TODOS(AS).

Pela educação para paz, pela vida, pela cidadania e pelo direito à inclusão plena.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Hoje comemoramos o 3o aniversário das Novidades do Dia

No dia 1o de Outubro de 2005 um grupo de amigos resolveu assumir a
continuidade de um serviço prestado pela Rede SACI que foi descontinuado, a
contragosto, pelo pessoal da Rede.

Nossa primeira edição tinha 9 notícias, 6 colaboradores e foi enviada para 5
grupos.

Hoje temos dezenas de notícias diariamente, 12 colaboradores fixos mais
vários eventuais e o boletim é distribuído para mais de 30 grupos e redes de
informação, sendo que um grupo foi criado especificamente para esse fim.

Durante esse ano, soltamos 326 edições, totalizando 819 edições regulares em
3 anos (225 no primeiro e 268 no segundo ano) e mais centenas de notícias
extras.

No início do nosso Ano 4 , gostaria muito de agradecer a todos que
colaboram, comentam e ajudam a distribuir as notícias.

Vamos em frente, e que o acesso à informação possa ser cada vez maior.

Um abraço

Fábio Adiron
Inclusão : ampla, geral e irrestrita
http://xiitadainclusao.blogspot.com/

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Fórum Permanente de Educação Inclusiva no Encontro de Países Lusófonos

Segue abaixo texto da participação da Profa Liliane Garcez, representando o
Fórum Permanente de Educação Inclusiva no Encontro de Países Lusófonos para
Divulgação e Implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência:

Gostaria de agradecer o convite de estar aqui podendo falar sobre educação à
luz da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência que agora no
Brasil é o decreto legislativo 186 graças a um movimento de pressão da
sociedade muito intenso em relação a sua votação com quorum qualificado.
Como salientou o Dr. Ricardo ontem, a partir da noção de que o princípio tem
primazia sobre as regras em termos de direito, no Brasil estamos
permanentemente em um movimento que vem refinando e reafirmando a
necessidade de promover e proteger os direitos humanos de todas as pessoas,
com ou sem deficiência, já bem estabelecido em seu arcabouço legal. Assim,
como sintetizou a Dra. Linamara em nosso país temos elaborado muitas leis e
decretos a fim de dar conta de forma cada vez melhor desse direito de todos.

Neste sentido, ainda que a Convenção afirme em seu preâmbulo a
universalidade, a indivisibilidade, a interdependência e a inter-relação de
todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, bem como a necessidade
de que todas as pessoas com deficiência tenham a garantia de poder
desfrutá-los plenamente, sem discriminação, temos a necessidade de, ao
pensarmos em políticas públicas, analisar cada componente desse direito a
fim de elaborar um conjunto de objetivos e metas para dar conta das
responsabilidades que estão implicadas nesse caminho. Concernente a essa
preocupação, a própria Convenção estabelece em seu Artigo 24, as questões
referentes à Educação como direto, com base na igualdade de oportunidades e
sem discriminação. Para efetivar esse direito, os Estados Partes deverão
assegurar um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o
aprendizado ao longo de toda a vida, com objetivos que podemos agrupar em
três blocos. O primeiro pode ser entendido como aquele que descreve
objetivos próprios da educação para todas as pessoas, com ou sem
deficiência:

1. O pleno desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e
auto-estima, além do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos,
pelas liberdades fundamentais e pela diversidade humana;
2. O desenvolvimento máximo possível da personalidade e dos talentos e
criatividade das pessoas com deficiência, assim de suas habilidades físicas
e intelectuais;
3. A participação efetiva das pessoas com deficiência em uma sociedade
livre.

Um segundo bloco, diz respeito a uma gama de direitos que estão postos para
dar conta de um processo de exclusão histórico, que devem ser pensados para
todos os grupos historicamente excluídos e desta forma, variam conforme a
localidade, a região. São grupos que são lembrados quando nos perguntamos,
quem são os excluídos deste lugar, quem não tem acesso ao que é produzido
socialmente de forma autônoma?

1. As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional
geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não
sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório, sob a alegação
de deficiência;
2. As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental
inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais
pessoas na comunidade em que vivem;
3. Adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais sejam
providenciadas;
4. As pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do
sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação; e
5. Efetivas medidas individualizadas de apoio sejam adotadas em ambientes
que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, compatível com a meta de
inclusão plena.

E, finalmente, um terceiro conjunto de pontos que tratam dos apoios
específicos relativos aos tipos de deficiência que, obviamente, não podem
ser lidos desarticulados ou apartados dos dois blocos anteriores.

1. Facilitação do aprendizado do braile, escrita alternativa, modos,
meios e formatos de comunicação aumentativa e alternativa, e habilidades de
orientação e mobilidade, além de facilitação do apoio e aconselhamento de
pares;
2. Facilitação do aprendizado da língua de sinais e promoção da
identidade lingüística da comunidade surda; e
3. Garantia de que a educação de pessoas, inclusive crianças cegas,
surdocegas e surdas, seja ministrada nas línguas e nos modos e meios de
comunicação mais adequados às pessoas e em ambientes que favoreçam ao máximo
seu desenvolvimento acadêmico e social.

Neste sentido, o que o Brasil vem fazendo em termos educacionais já está
determinado tanto na Constituição Federal de 1988 quanto na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9394/96. O entendimento sobre
os princípios dessas leis, como já mencionado, vem sendo aprimorado com a
ratificação de declarações internacionais que também tem se transformaram em
lei, como por exemplo, a Convenção da Guatemala – Decreto 3956/01. Portanto,
as políticas nacionais já estão voltadas a dar conta dessa questão há pelo
menos vinte anos. Tendo como foco a educação das pessoas com deficiência,
deve ser citado o Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade,
desenvolvido desde 2003 pelo Ministério da Educação, que tem como diretriz
justamente acabar com a separação entre educação especial e educação comum.
Esta proposta de re-organização da educação nacional tem gerado muita
discussão, com argumentos que por vezes reforçam uma compreensão dual da
educação, que reafirma a idéia do “ou isso ou aquilo”. Ou seja, como se
tivéssemos que escolher entre defender a educação comum ou a educação
especial. Como se tivéssemos que escolher um time e isso se tornasse mais
importante do que o futebol. Ontem, no Memorial do Santos Futebol Clube
presenciamos que escolher um e não outro só tem sentido dentro das quatro
linhas, pois quanto tratamos de questões de direitos sociais todos devemos
estar do mesmo lado: na busca pela efetivação do direito de todos a uma vida
digna. Entretanto, acredito ser essa discussão imprescindível para a efetiva
apropriação das diretrizes de uma educação inclusiva por todos, num
movimento esse que se configura como a própria construção de uma sociedade
não excludente.

Voltando a questão da ruptura da dicotomia entre especial e comum na
educação, o MEC, ao longo desses 05 anos optou pelo trabalho de formação dos
mais de 5.500 municípios brasileiros para que, na ponta, sejam desenvolvidas
ações para dar conta desse objetivo. Em janeiro deste ano, foi lançado o
documento Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação
Inclusiva, que organizam as diretrizes. Nele fica claro que não haverá o fim
da educação especial enquanto modalidade de ensino e enquanto campo de
conhecimento. O que deve terminar é a necessidade de escolha entre a
educação comum e a especial, uma vez que para dar conta da educação integral
da pessoa com deficiência é necessária tanto a primeira como o atendimento
educacional especializado. Ações que, portanto, não podem competir entre si,
pois senão há o risco permanente de continuarmos substituindo o pleno pelo
parcial, designando o que e onde uma pessoa com essa ou aquela deficiência
ou dificuldade deve aprender. O que a Política Nacional direciona é que
devem acabar os espaços segregados de educação, pois a educação é
instrumento de autonomia e não se constrói autonomia fora de espaços
sociais, no caso, a escola comum. Temos o direito à diversidade entendida
como valor humano. Cabe aqui ressaltar que falar em vida independente para
crianças não tem sentido, mas, ao adotá-la como objetivo na idade adulta
significa estabelecer um processo de construção de autonomia que está
imbricado com o processo educativo. Como nos alertou ontem nossa companheira
sobre a questão da deficiência e da transmissão do vírus HIV, vida
independente não significa abrir mão de informações qualificadas, mas ao
contrário, de posse delas fazer escolhas. Essa sem dúvida é uma das funções
da escola, entendida como um espaço comum que informa e discute sobre
questões relevantes a todos os cidadãos. Na convenção, este princípio está
assim disposto: “Os Estados Partes deverão assegurar que as pessoas com
deficiência possam ter acesso à educação comum nas modalidades de: ensino
superior, treinamento profissional, educação de jovens e adultos e
aprendizado continuado, sem discriminação e em igualdade de condições com as
demais pessoas. Para tanto, os Estados Partes deverão assegurar a provisão
de adaptações razoáveis para pessoas com deficiência”. Desta forma
reconhecem-se as diferenças e com elas a necessidades de apoios
diferenciados para cada pessoa e cumpre-se a Constituição Federal de 1988
que determina que todos realizem seu direito à educação.

Para finalizar, gostaria de abordar um último aspecto que para nós do Fórum
Permanente de Educação Inclusiva tem sido, talvez, nosso foco principal de
discussão: a formação dos educadores. A Convenção explicita a premência de
ações que dêem conta dessa questão: “A fim de contribuir para a realização
deste direito, os Estados Partes deverão tomar medidas apropriadas para
empregar professores, inclusive professores com deficiência, habilitados
para o ensino da língua de sinais e/ou do braile, e para capacitar
profissionais e equipes atuantes em todos os níveis de ensino. Esta
capacitação deverá incorporar a conscientizaçã o da deficiência e a
utilização de apropriados modos, meios e formatos de comunicação aumentativa
e alternativa, e técnicas e materiais pedagógicos, como apoios para pessoas
com deficiência”. Entendemos no Fórum, que, aliás, este ano completa 10 anos
de luta pela Educação de todos e para todos, que a formação dos educadores
não pode seguir um modelo que queremos enfraquecer nos espaços educacionais,
no qual alguns sabem e outros devem repetir o que ouviram, sem
necessariamente estarem implicados no processo. Se não há aluno “ideal”
também não há professor “ideal”. Desta maneira, defendemos a importância de
um espaço de interlocução onde informação e diálogo compõe o conceito de
formação e não podem ser separados de forma nenhuma se entendemos que somos
todos protagonistas.

Assim, por sermos um grupo que escolheu a Educação Inclusiva como tema comum
de debate e construção, nos colocamos a disposição e convidamos a todos os
presentes a compartilharem conosco dessa caminhada. Todos que quiserem
dialogar, podem se inscrever para participação on line inclusão@gmail.com
informando que gostariam de integrar o Fórum. Da mesma forma, estão todos
convidados para nossas reuniões presenciais que ocorrem nas primeiras
terças-feiras de cada mês, das 9h30 às 12h00 na Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo. Estendemos o convite a todos os companheiros dos
países lusófonos: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal,
São Tomé e Príncipe e Timor-Leste e dos países vizinhos da América Latina,
para, com a troca de informações por meio do diálogo possamos construir
ordenamentos jurídicos e políticas públicas com o objetivo de garantir os
direitos das pessoas com deficiência dadas as nossas especificidades
sócio-culturais e econômicas. Esta tem sido uma prática que tem resultado
em bons encontros

Ampliando um pouco o lema do movimento: nada sobre nós, sem nós e nem
somente conosco.

Obrigada,

Liliane Garcez

domingo, 14 de setembro de 2008

Breve relato sobre a Conferência Estadual dos Diretos Humanos/RJ

Amig@s

A Conferência Estadual de Direitos Humanos/RJ aconteceu nos dias 12 e 13 na UERJ e contou com a presença de delegados,convidados e observadores de todo Estado. A cerimônia de abertura contou com a participação do Ministro Paulo Vanucchi e da Secretária de Direitos Humanos e Assistência Social Benedita da Silva.O Ministro fez questão de destacar a importância da preservação da memória em relação aos assassinados e torturados pelo regime militar,afirmando que a tortura é crime contra a humanidade e também entre outras coisas,falou sobre as pessoas com deficiência e os avanços obtidos pelos movimentos sociais nos últimos vinte anos.

Durantes dois dias os participantes assistiram as palestras dos seis eixos temáticos e participaram dos grupos de trabalho,onde foram elaboradas as propostas que posteriormente foram levadas para a aprovação da plenária, na tarde de sábado. Agora, as propostas e moções aprovadas serão encaminhadas para a Conferência Nacional, que será realizada no mês de dezembro, em Brasília.

A participação de pessoas com deficiência e de seus representantes foi essencial para dar visibilidade e avançar na luta pela educação inclusiva e de qualidade. O eixo “ Educação e Cultura em Direitos Humanos” deu peso à causa ao divulgar leis e convenções e trazer à mesa o tema da Educação Inclusiva. Os demais grupos de trabalho que tiveram como delegados e observadores pessoas com deficiência ou seus representantes também trouxeram nas propostas a inclusão plena das pessoas com deficiência na sociedade.

A Conferência contou com a presença de inúmeras entidades,instituições, ONGs, e grupos, entre eles, FOPEDH,Observatório das Favelas, REDE INCLUSIVA,FASE,FIERJ,Escola de Gente,Pastoral Carcerária,Comissão de Direitos Humanos e Assistência Social /OAB,Associação Remanescente dos Quilombos,Instituto Palmares de Direitos,ODH-Projeto Legal,Liga brasileira de lésbicas,Forum Estadual de Direitos Humanos. Os poderes Executivo,Legislativo e Judiciário interagiram com a Sociedade Civil no sentido de promover avanços no Plano Estadual e Nacional de Direitos Humanos.

O próximo passo será a Conferência Nacional de Direitos Humanos em Brasília, para onde irão os delegados do Rio de Janeiro e os delegados dos demais Estados, para juntos avaliar e atualizar o Plano Nacional de Direitos Humanos traçando metas para o respeito à dignidade,cidadania e inclusão social plena de todas as pessoas na sociedade.

Participaram pela Rede Inclusiva
Claudia Grabois(Rede/FIERJ/RJDown)
Andrei Bastos
Priscila Galvão
Participou pela Escola de Gente
Fabio Meirelles

Nossos agradecimentos a tod@s com quem estivemos nesta trajetória e em
especial ao Marco Fonseca-Ouvidor da Secretaria de Direitos Humanos
e Assistência Social do Estado,à Carmelita Lopes-Sociedade Civil(FOPEDH)e a
Dra Denise Levy Tredler-Desembargadora e representante do judiciário
na conferência.

Claudia Grabois-REDE INCLUSIVA e FIERJ na COE da II Conferência Estadual dos Direitos Humanos/RJ

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

MEC vai investir na inclusão de alunos com deficiência

Investimento
MEC vai investir na inclusão de alunos com deficiência


Joelma Gonçalves, do Emsergipe.com, com informações do Jbonline



O Ministério da Educação (MEC) promoverá pregão eletrônico no dia 19 de setembro para aquisição de equipamentos destinados à montagem de 4,3 mil salas de recursos multifuncionais. As instalações serão utilizadas para a inclusão de alunos com deficiência no ensino regular, de acordo com informações do Ministério da Educação.

Entre os aparelhos necessários para o atendimento especializado estão 4,3 mil microcomputadores completos e 5,6 mil portáteis (notebooks). A intenção é garantir que as escolas tenham condições de atender à nova política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva.

Um dos pilares da nova política é a idéia de que o atendimento especializado não substitui o ensino regular. Os alunos com necessidades especiais devem receber atenção específica para minimizar suas dificuldades e, ao mesmo tempo, cursar o ensino regular.

As salas serão montadas para viabilizar o atendimento especializado, que deve ser proporcionado, de acordo com especialistas, no turno oposto ao das aulas regulares.

"Todas as crianças têm direito à educação e, no caso dos deficientes, a garantia desse direito é o atendimento especializado", explica Rosângela Machado, coordenadora-geral da política pedagógica da educação especial do MEC.


Avanços
Até o fim deste mês, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve assinar decreto que destinará mais recursos do Fundo da Educação Básica (Fundeb) a alunos com deficiência.

As escolas receberão duas vezes o valor do repasse de um aluno normal para cada deficiente matriculado. "Esse dinheiro deve ser utilizado para custear recursos que garantam a acessibilidade dos estudantes", afirmou Rosângela.

Em março de 2007, o Brasil assinou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O documento tem equivalência com a Constituição. Nenhuma lei relacionada aos deficientes pode ir contra os preceitos estabelecidos pela convenção. Com a assinatura, o país se compromete a garantir a inclusão de estudantes deficientes em escolas regulares.

Pela nova norma, o descumprimento de qualquer item que favoreça a inclusão das pessoas com deficiência é considerado discriminação.

O edital que estabelece as normas do pregão eletrônico está disponível no Portal de Compras do governo federal e na página eletrônica do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Encontro Internacional pelos Direitos das Pessoas com Deficiência

Amig@s,

segue abaixo divulgação do Encontro Internacional pelos Direitos das Pessoas
com Deficiênca "Construindo juntos uma Região Latino-Americana e Caribenha mais Acessível e Inclusiva".
O encontro acontece em São Paulo nos dias 8,9 e 10 de setembro.

Claudia Grabois
redeinclusivajuntoseducacaoparatodos@yahoogrupos.com.br




Encontro Latino-Americano pelos Direitos das Pessoas com Deficiência acontece até dia 10



Encontro reúne, em São Paulo, representantes da América Latina para discutir a acessibilidade e a inclusão



Hoje, segunda-feira, dia 8 de setembro, a Secretária de Estado dos Direitos da Pessoas com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella, participou da mesa de abertura do Encontro Internacional pelos Direitos das Pessoas com Deficiência "Construindo juntos uma Região Latino-Americana e Caribenha mais Acessível e Inclusiva". "É um momento especial de somar, momento de unir forças para que possamos efetivamente mudar as coisas em nossos países e no continente latino-americano. Falar sobre os direitos humanos tem um significado muito precioso, muito distinto porque sabemos que não basta ter assegurado os direitos na legislação ou pela carta internacional dos direitos da pessoa com deficiência. Temos que ir além, disse a Secretária.

O evento, que vai até o dia 10 de setembro, é organizado pela RIADIS (Rede Latino-Americana de Organizações Não-Governamentais de Pessoas com Deficiência e suas Famílias) e ocorre na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, apoiadora do evento, em São Paulo. O encontro também contou com a presença da Presidente da RIADIS, Regina Atalla, e do vice-presidente, Adelmo Bórquez, além da junta diretiva da rede.

Um dos objetivos do encontro é o fortalecimento das relações entre as organizações regionais e internacionais de pessoas com deficiência e ONGs internacionais, organismos e agências de cooperação e defesa de direitos humanos. Além disso, os organizadores pretendem aprofundar temas comuns para o trabalho conjunto e estabelecer um diálogo construtivo e frutífero.

Segundo a Dra. Linamara "estamos num momento novo, um momento em que a sociedade tem de estar aberta para que todos tenham seu espaço, tenham condição de desenvolvimento, de sobrevivência e de felicidade. Por isso, um encontro como esse tem uma importância enorme. É uma oportunidade que temos de compartilhar conhecimentos, de nos unir para um mundo melhor para todos. As coisas que fazemos para as pessoas com deficiência na verdade fazem com que a sociedade tenha uma nova forma de olhar as coisas, como sociedade fraterna. Por isso, somos tão importantes neste momento"
.

Na América Latina vivem hoje aproximadamente 90 milhões de pessoas com deficiência, dos quais mais de 4/5 em condição de pobreza e extrema pobreza. Além disso, na região, onze países já ratificaram a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que garante melhores condições a esse grupo de pessoas.


Maria Isabel da Silva
Jornalista
Coordenadora de Comunicação
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Solicitação de apoio -"Guia da Escola"!?

Prezad@s,

envio em nome da REDE INCLUSIVA esta carta denúncia escrita pelo Lúcio Carvalho
de Porto Alegre/RS.
Nosso prezado companheiro é um ativista das causas inclusivas e contamos com
você também para ajudá-lo nesta empreitada.
Educação inclusiva é coisa séria,direito adquirido de todas as crianças e cabe as
famílias,sociedade e Estado garantir este exercício.
Para maiores esclarecimentos em relação a carta, leiam os artigos 205 a 213 da CF
art.24 Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ECA e LDB.

Um abraço,

Claudia Grabois
Inclusão:Ampla,Geral e Irrestrita


Gostaria de solicitar o apoio de todos no sentido de divulgar e também levar ao conhecimento das autoridades competentes uma publicação especial veiculada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, intitulada "Guia da Escola", veiculada hoje - 03/09/2008, que pretende prestar o serviço de divulgar entre seus leitores uma ampla relação de escolas de Porto Alegre e região metropolitana a partir de uma lista de checagem preenchida individualmente por cada escola trazendo as seguintes informações: a) avaliação - como são expressos os resultados dos alunos (pareceres descritivos, conceitos menções ou notas); b) currículo - o guia privilegiou informações sobre aulas de língua estrangeira, filosofia, sociologia, educação física, etc.); c) atividades extraclasse - atividades desenvolvidas fora do horário de aula, não distinguindo se estão incluídas no valor da mensalidade; d) segurança - os procedimentos de segurança adotados; e)inscrições e matrícula - período de inscrições e matrícula; f) educação especial - se recebem alunos com necessidades especiais O que ocorre é que, desde a elaboração da lista de chegagem, é notável que abre-se uma possibilidade, legalmente inadequada, de que as escolas possam informar a aceitação de pessoas com necessidades educacionais especiais como uma opção, posto que se trata de um dever das escolas e de um direito constitucional assegurado às pessoas com deficiência através da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU, que possui efeito constitucional em nosso país. A partir daí, as escolas passam a informar essa opção com uma tal leviandade que assombra. Entre muitas que informam que "aceitam mediante entrevista", "aceitam mediante encaminhamento médico", "aceitam mediante acompanhamento especializado", "aceitam mediante avaliação" (inclusive uma escola especial da APAE informa dessa maneira), algumas chegam a informar que simplesmente "não aceitam". Não pretendo entrar no mérito de discutir tamanho absurdo, mas apenas dar conhecimento público às autoridades competentes e órgãos representativos das irregularidades ali declaradas para que, através dos meios legais, os responsáveis pela edição do jornal publiquem algum tipo de esclarecimento e as escolas e seus profissionais sejam alertados e/ou mesmo investigadas por práticas ostensivamente ilegais. Para maiores referências, ver o Art. 24, §2 da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência: "2. Para a realização desse direito, os Estados Partes assegurarão que: a. As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário, sob alegação de deficiência; (...)" Obrigado pela atençãoLucio Carvalholucioscjr@uol.com.br, luxius_oaker@yahoo.com.br805032163151 32215773

terça-feira, 2 de setembro de 2008

VIDAS PARALELAS

Torcemos pelo Brasil e pelo sucesso de cada um dos atletas,mas sempre é
tempo de refletir sobre a sociedade que queremos.
Vidas paralelas é uma reflexão de Fabio Adiron sobre os Jogos Parapanamericanos,
que agora com o início das Paraolimpíadas posto na Rede Inclusiva.
Ótima leitura para tod@s!

Claudia Grabois
Inclusão:Ampla,Geral e Irrestrita
redeinclusiva@gmail.com
redeinclusivajuntoseducacaoparatodos@yahoogrupos.com.br


VIDAS PARALELAS
Fabio Adiron

Os jogos Parapanamericanos acabaram. Ufa. Apesar da pouca cobertura da mídia, a que existia era para mostrar o lado heróico desses coitadinhos dos deficientes que "a despeito" das suas limitações, muitas vezes severas, conseguiram vencer na vida e ter os seus 5 minutos de fama (ah, você me corrige e diz que na frase do Warhol eram 15 minutos de fama, mas eu descobri que no caso das pessoas com deficiência 10 desses minutos foram amputados, ops, será que posso usar esse termo aqui ?).

Mas os jogos dividiram a opinião da comunidade das pessoas com deficiência. De uma lado aqueles que defendiam os jogos como uma forma de luta contra a discriminação. De outro (onde me incluo) aqueles que perceberam que os jogos eram ainda mais discriminatórios que o dia-a-dia.

O prefixo "para" , vem do grego e quer dizer algo que está "ao lado de" algo, paralelo a , mas que não é o mesmo algo, ainda que compartilhe parte da sua essência. A parapsicologia estuda os eventos psíquicos, assim como a psicologia, mas se restringe aqueles que tem aparência sobrenatural. Um parâmetro é uma medida ou referência paralela ao que se mede. Um livro paradidático pode até ajudar no ensino, mas é considerado algo fora do eixo formal do aprendizado.

Uma das coisas que eu nunca esqueço das minhas aulas de geometria do ginásio é que as linhas paralelas só se encontram no infinito. Quando lembro que o Para-Pan é o que ocorre em paralelo ao Pan, isso só está me dizendo que as linhas paralelas ("normais" e "estranhos") nunca vão se tocar...exceto no infinito.

Porque é que precisamos ser "Para" , se nós acreditamos que não podemos continuar vivendo em mundos separados ??

Se eu aceito o Parapan, dentro da mesma lógica, eu aceito a Para-escola, o Para-emprego , o Para-seguro-saúde....

Por quê que atender a diversidade se eu posso isolar as pessoas em grupos homogêneos ??

Agora se eu luto por uma escola/emprego/sociedade de todos juntos respeitando a diversidade e as limitações de cada um, o que eu preciso é de uma vida que não seja "para-nada” com todas as pessoas incluídas.

Inclusão é traçar linhas diagonais, ortogonais , assimétricas, aleatórias. Rabiscar o papel da vida de uma forma que as linhas se toquem e se encontrem o tempo todo. Usar as mais variadas cores de grafite, tinta e o que mais houver.

Até o limite onde não se saiba mais qual linha teve origem aonde.

http://xiitadainclusao.blogspot.com/2008/07/vidas-paralelas.html

domingo, 31 de agosto de 2008

NÃO É SONHO!!!

De fato quando falamos em inclusão de pessoas
com deficiência,muitos ainda relacionam o assunto
a pena,migalhas e caridade.

Talvez seja um ranço próprio da educação,que ensinava
os filhos quando muito a enxergar pessoas com
deficiência como sujeitos para compaixão,por
parte daqueles que eram 'perfeitos e normais' aos
olhos da sociedade.

Foram centenas de anos de isolamento,exclusão e
invisibilidade e este quadro não mudará facilmente
pois em 2008, a despeito das leis que favorecem a
inclusão, ainda continua o quadro de invisibilidade
social .Cada criança que nasce e cada pessoa
que se torna deficiente marca o ínicio de uma nova
luta pelo reconhecimento, pela aceitação e pela
dignidade humana.

Os meios de comunicação não favorecem, pois as
induções e linguagem inapropriadas fazem com que
a segregação siga o seu curso e contribua para
a continuidade do preconceito e por consequência
da discriminação.

As pessoas com deficiência e suas famílias precisam
assumir o papel de protagonistas de suas próprias
histórias e escolher em que modelo social pretendem
viver e fazer com que se torne realidade.
Pois de nada adianta leis que não são reconhecidas
de fato pelos principais interessados.

Nossas leis falam em reconhecimento, autonomia, direitos
iguais, modelo social, inserção laboral, direitos e deveres,
acessibilidade,inclusão, educação inclusiva e criminalizam
a discriminação.
E a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,
já promulgada e com todos seus trâmites cumpridos,já vigora
reforçando e definindo a escolha pelo caminho da inclusão plena
e da dignidade humana.

De fato existe uma militância ativa, que busca os direitos
mas a pergunta é se os demais interessados estão acom
panhando e vivenciando estas mudanças, e mais ainda,
se reconhecem a si mesmos como sujeitos desta história
de lutas pelos direitos humanos das pessoas com defici
ência.

A despeito de todas as leis que existem e virão a exister
pessoas com deficiência só deixarão de ser invisíveis se
forem vistas como protagonistas e não como coadjuvantes
na medida que se sentirem cidadãos e merecedores da
cidadania e a medida que se reconhecerem no outro,seja
ele com ou sem deficiência.
O reconhecimento do que se é,livre de barreiras pessoais,
livres do auto preconceito e da não aceitação dos que os
cercam produz o sujeito pleno de direitos.

Para que adiantam as leis se não nos julgamos merecedores
delas?
Para que leis que garantem a inclusão se não são usadas
pela constatação de que os filhos darão 'mais trabalho' e
é 'mais difícil' para o professor ensinar a criança ou o
adolescente com deficiência intelectual,o seu filho.
E como se estudar em classe regular já não fosse um direito
adquirido, e mais ainda,um direito inalienável.
Para que a lei de Libras se não exigimos que saia do papel.
Para que todas as outras leis, pois se pensarmos que
pessoas com deficiência somam quase 25.000.000
poderíamos estar promovendo a revolução inclusiva,que
por sinal seria legal.Seria talvez uma revolução social
legalista,para mudança da própria sociedade com base
na legalidade.
Que não seja por falta de leis.

O questionamento começa em como agiriam as pessoas
que tem deficiência ou tem filhos com deficiência se não
os tivessem. Teriam preconceitos? Será que muitos mesmo
que não saibam ainda tem? Será que reconhecemos de fato
pessoas com deficiência como cidadãos plenos, como pro
tagonistas? Como será que ocorre esta mudança que
uma vez provocada pela própria vida não volta atrás e
e muito embora seja rica, talvez não seja fácil se situar
dentro dela, com as novas vivências e necessidades, e
principalmente por que cada um é o que é, e seres humanos
são complexos , nós somos todos assim.Um mar de ques
tionamentos e dúvidas.

Talvez seja por isto que no caso das pessoas com deficiência
as políticas públicas de inclusão caminham muito na frente.
Ainda não entendemos que política no papel não é política
executada e que o papel da sociedade é cobrar com todos
os meios possíveis, seja através de mobilizações ou ações
jurícidas o seu cumprimento.

Por outro lado acredito que não seja um ranço apenas nosso
mas da sociedade em que vivemos,que se pensarmos bem,
são poucos os segmentos que reivindicam seus direitos e
apenas aqueles que o fazem tem êxito.

A questão é se queremos inclusão e acessibilidade plena
e se acreditamos de verdade que pessoas com deficiência
são pessoas, que fazem parte da diversidade, que é com
posta por pessoas com e sem deficiência e com várias outras
características, podem se baixas, gordas, altas, usar óculos,
loiras, morenas,de religiões variadas ou ateus,e muitas
outras características que só gente tem.

Bem, é para pensar no que queremos e em que acreditamos,
por que não existe quase inclusão, mas existem outras
coisas como integração, modelo de saúde, assistencialismo,
que muitas pessoas podem querem engatar na inexistente
quase inclusão.
Mas se é a inclusão o que queremos então vamos lutar
por ela, lutem para que se torne realidade. Pela primeira
vez temos a faca e o queijo na mão, não é nada fácil,
mas nunca foi tão possível.
Não é um sonho, é realidade possível e acessível, basta
querer, acreditar e ousar para si mesmo.


Claudia Grabois
Rede Inclusiva-Inclusão:Ampla,Geral e Irrestrita
redeinclusiva@yahoogrupos.com.br

As Condições Certas para Realizar a Inclusão

AS CONDIÇÕES CERTAS PARA REALIZAR A INCLUSÃO
( The right conditions for inclusion)


extraído de texto da organização internacional muito respeitada, SAVE THE CHILDREN, que trabalha pelo bem estar das crianças em mais de 100 países; o texto em inglês se intitula: MAKING SCHOOLS INCLUSIVE ( tornando as escolas inclusivas)



traduzido do inglês e digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília(Diretoria para Assuntos





Há muitos anos que admiramos o belíssimo trabalho de valorização de crianças em todo o mundo que a excelente organização SAVE THE CHILDREN promove em mais de 100 países. A entidade estuda em profundidade a condição das crianças, independente do local geográfico, culturas e religiões, seu principal objetivo é alcançar o bem de todas as crianças que pode localizar..



Vamos ao que dizem sobre as condições corretas para a inclusão



“A experiência de Save the Children sugere que se trabalharmos para conseguir estabelecer as seguintes condições, conseguiremos que as crianças mais excluídas freqüentem a escola e aprendam.



· Os pais têm a consciência de que toda a criança tem direita a receber educação



· As necessidades básicas de sobrevivência da família são atendidas, a fim de que as crianças possam ir para a escola em vez de ir trabalhar.



· As escolas estão localizadas perto das casas das crianças, elas são fisicamente seguras e acessíveis a todos, e têm um número razoável de professores treinados.



· Os professores são treinados e motivados a trabalhar com uma gama diversificada de crianças e têm condições de tentar diversas abordagens em seu trabalho cotidiano.



· Os diretores e professores das escolas não rejeitam crianças, em vez disso procuram alcançar todas as crianças de sua comunidade.



· Os professores são recrutados de uma gama de grupos marginalizados (incluindo professores deficientes e minorias lingüísticas)



· As crianças não são impedidas – através de exames feitos, taxas escolares ou outras barreiras, de ir progredindo através da escola.



· A direção da escola é informada através das opiniões das crianças e dos pais



· Crianças e adultos procuram não discriminar contra aqueles que são vistos como diferentes.



Nos casos em que algumas dessas condições existem, as crianças podem receber benefícios dramáticos. Por exemplo:



· Uma criança com dificuldades de mobilidade poderia ser levada à escola pelos pais e amigos. Ele/ela podem receber um programa individualizado de aprendizado na escola, depois serem elogiados pelo progresso que fizeram, e ter esse progresso reconhecido formalmente. A criança não se sente inferiorizada ou mal recebida na escola.



· Uma menina poderia ser encorajada pelos pais a permanecer na escola e progredir através de exames, a despeito de expectativas anteriores que ela iria ficar em casa. Ela não teria de fazer os deveres de casa depois do trabalho doméstico ou esperarmos automaticamente que limpe a sala de aula.



· Crianças de um grupo étnico minoritário nas montanhas seriam ensinadas usando palavras, imagens e conceitos enraizados em suas próprias vidas em vez de no estilo de vida que não lhes é familiar de uma criança urbana, de maioria étnica.



· Crianças cujos pais são extremamente pobres são notadas e ajudadas a freqüentar a escola através de pessoas ou instituições de sua comunidades, que também procuram garantir que as crianças tenham alimentação suficiente, cuidados com a saúde e tempo livre para serem capazes de aprender.





Por que isto não pode ser a realidade para muitas crianças?








traduzido do inglês e digitado em S.Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais) e entidades parceiras em 31 de agosto, 2008