terça-feira, 9 de dezembro de 2008

REDE INCLUSIVA

As duas últimas décadas foram marcadas pela atuação de movimentos sociais organizados e lutando por direitos dentro de espaços de livre expressão em nosso país. Se ainda não temos a democracia que queremos, temos a que conseguimos construir, e ainda estamos a construir passo a passo, depois dos terríveis anos da ditadura militar que oprimiu, torturou e assassinou milhares de brasileiros e brasileiras.

Passados quase trinta anos, embora tenhamos avançado em muitas questões e aberto o leque da defesa dos direitos humanos, o que inclui nossa relação com o meio ambiente, podemos dizer que, enquanto vivemos este momento ímpar de conquistas de direitos, apesar de ainda às voltas com questões relacionadas à ditadura, como a punição dos torturadores, ao mesmo tempo vivemos também um momento ímpar em matéria de desrespeito à cidadania.

A Constituição de 1988 abriu espaço para o Estado de Direito e, a partir de então, tivemos uma profusão de estatutos e garantias constitucionais para crianças, jovens, mulheres, idosos, negros, populações indígenas, pessoas com deficiência e todos os demais grupos vulneráveis e de risco, majoritários ou minoritários.

A despeito disso, diariamente nos deparamos com uma violência crescente, em todas as regiões do Brasil, que atinge principalmente os chamados grupos vulneráveis, vítimas de discriminações no seu cotidiano, excluídos e segregados por atos de violência física ou de atitudes e expressões geradoras e mantenedoras deste status quo.

Cabe à sociedade apoiar a luta dos excluídos pelo empoderamento e se fazer parte dele em todos os segmentos, pois se todos somos protagonistas, nos cabe promover estas mudanças e, através do uso adequado das leis, nos afirmarmos como uma nação mais justa, com tod@s juntos - brancos e negros, LGBT, pessoas com deficiência, jovens e idosos, morro e asfalto, populações de rua, campesinos, populações indígenas e ribeirinhas.

É nosso dever tomar a dianteira e lutar pelos direitos humanos de todas as pessoas, sem exceções, para que nossos jovens não morram assassinados, nossas crianças não sejam vítimas da incompetência do Estado e da sociedade ao não garantirem a todos os cidadãos e cidadãs uma vida digna e dentro dos princípios constitucionais e de todos os estatutos, leis e convenções que regem nosso país. É nosso dever apoiar a inserção de 25.000.000 de pessoas com deficiência, a maioria delas vivendo na pobreza, excluídas e segregadas.

É obrigação do governo e da sociedade civil organizada combater toda e qualquer forma de discriminação e preconceito contra religiões, etnias, grupos minoritários e majoritários, assim como se unir na construção diária da democracia e da cidadania, na construção de um país humanizado e que contemple a todos e a todas em suas necessidades.

Esta é a sociedade que queremos. Que seja inclusiva e acessível de forma Ampla, Geral e Irrestrita.

REDE INCLUSIVA-redeinclusivajuntoseducacaoparatodos@yahoogrupos.com.br
Contato-redeinclusiva@gmail.com
claudiagrabois@hotmail.com

Depoimento do torturador Jimenez é uma afronta!!!

O depoimento do crimonoso e torturador Jimenez é mais uma afronta não apenas para familiares de mortos e desaparecidos, mas uma grande ofensa à sociedade civil organizada e a todos que lutaram e lutam pelo Brasil democrático.
Mas aos poucos mais fatos são revelados e novas informações e novos crimes ainda serão descobertos.
Jimenez não esta arrependido e se considera herói,acredita que "estava a trabalho" e "merece indenização". Disse como matou e torturou, informando nomes conhecidos e desconhecidos,relata a morte de Osvaldão.
Seu depoimento arrogante e sem arrependimento demonstra o estado de terror em que foi mergulhada a nossa sociedade há pouco tempo atrás.
Nossos jovens e crianças precisam aprender a história real, a face verdadeira da ditadura militar,que matou centenas de pessoas em todo país.
Não há perdão para a tortura e o direito à memória e a verdade deve prevalecer.
Depoimentos como o do torturador Jimenez nos enchem de angústia e também nos fortalecem, para que sigamos na luta pela responsabilização dos torturadores,pelos seus crimes cometidos contra a humanidade.
Pelo direito à memória e à verdade!

Claudia Grabois
redeinclusiva@gmail.com




Militar que combateu no Araguaia admite que "a ordem era matar"

Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil



Brasília - "A ordem era matar e perguntar depois”, disse o ex-chefe do grupo de combatentes do Exército na Guerrilha do Araguaia, José Vargas Jimenez, em depoimento, hoje (3), na Comissão sobre Anistia na Câmara dos Deputados. Na época da guerrilha, Chico Dólar, apelido pelo qual era conhecido, era terceiro-sargento do Exército.

Ele confessou hoje ter torturado várias pessoas e deu detalhes do tratamento dispensado àqueles que não resistiam e morriam.

“Como não podíamos carregar os mortos pela selva, a gente deixava pelo caminho. A única precaução era cortar a cabeça e as duas mãos para impossibilitar a identificação da vítima”, relatou.

O depoimento de Jimenez provocou reação em familiares de vítimas da ditadura militar, que acompanharam a reunião. Alguns chegaram a interromper o depoimento chamando o ex-militar de torturador e se indignaram no momento em que ele disse acreditar que tem direito de receber uma indenização do Estado devido aos serviços prestados durante a guerrilha.

“Eu sou um herói do Araguaia. Eu acho que mereço uma indenização. Trabalhei lá por seis anos”, disse o militar que atualmente está na reserva. “Foi uma guerra. Guerra é guerra e afeta todo mundo. Sei que tem gente sofrendo. Do nosso lado [Exército] também tem gente sofrendo”, justificou.

Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), o depoimento de Jimenez trouxe informações importantes que poderão ser cruzados com dados que a comissão já reuniu.

“Ele trouxe um número de mortos que é bem maior do que nós tínhamos informações. Além disso, pela primeira vez, ele reconheceu que torturou e que, além de militantes, houve também camponeses mortos”, destacou o deputado.

Jimenez chegou a citar nomes de pessoas, cuja morte ele disse ter presenciado no Araguaia, ressalvando que saiu da guerrilha muito antes dela terminar e por isso não tinha condições de saber se algumas pessoas tidas hoje como desaparecidas realmente foram mortas.

Entre os nomes citados por Jimenez estão o Piauí (Antônio de Pádua), até hoje dado com desaparecido, Zezinho, que seria um camponês assassinado em meio a guerrilha, e outras pessoas conhecidas pelos pseudônimos de Alfredão, Nunes e Sônia.

O ex-militar ainda deu uma outra versão para a morte do líder Oswaldão, que após ser morto, teve o corpo arrastado por um helicóptero do Exército por toda região do Araguaia.

“Ele caiu do helicóptero e ficou preso pela corda. Aí resolveram [os militares] arrastá-lo para mostrar para todos que ele havia sido morto.

Em seu depoimento, Jimenez chegou a citar integrantes do governo como pessoas que lutaram contra a ditadura militar e que estavam na lista de pessoas procuradas pelo Exército.


“Muitos do que estão aí hoje no poder eram combatentes. “A ministra Dilma [Dilma Rousseff, da Casa Civil], Tarso Genro [Justiça] e o Minc [Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente] eram todos procurados”, destacou.

Outro nome citado por Jimenez em seu depoimento foi o do coronel Sebastião Rodrigues de Moura, o Sebastião Curió, que era responsável pelo trabalho de inteligência militar no combate à guerrilha. Ele utilizava as informações obtidas de guerrilheiros capturados por meio de tortura.


Curió foi para o sul da Amazônia para combater nas décadas de 1960 e 1970, e nunca mais retornou, virando liderança política na região. Ele chegou a fundar a cidade de Curionópolis, no sul do Pará, da qual foi prefeito.

É preciso acabar com o mito que o AI-5 foi criado apenas pelos militares

8 de Dezembro de 2008 - 20h45 - Última modificação em 8 de Dezembro de 2008 - 22h31


É preciso acabar com o mito que o AI-5 foi criado apenas pelos militares, diz Tarso Genro

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil



Brasília - Às vésperas dos 40 anos do AI-5, ato institucional baixado pela ditadura militar, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou hoje (8) que civis também apoiaram o ato. Segundo ele, é preciso acabar com o mito de que os militares foram os únicos responsáveis.

“Temos que acabar com esse mito de que o AI-5 da ditadura é responsabilidade de um grupo de militares ou das Forças Armadas. É claro, que as Forças Armadas tiveram papel fundamental, mas o AI-5 teve apoio civil, de pessoas, de ministros, de juristas que redigiram o AI-5, que deram fundamentações para a arbitrariedade”, afirmou Tarso, após participar de cerimônia no Palácio do Planalto.

“Temos que superar essa idéia do ato como resultado de um aparato militar puro, para superar a ideologia falsa a respeito da ditadura e construir a democracia com segurança tanto para os civis e militares e na relação entre ambos. É exatamente isso que o Brasil está fazendo neste momento”, disse.

Decretado no dia 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5 confirmou a instalação da ditadura militar no país, suprimindo direitos civis e dando poderes absolutos ao regime, como intervenção nos estados e suspensão de reuniões de cunho político e do habeas corpus para crimes políticos, além de resultar no fechamento do Congresso Nacional. O ato foi decretado pelo então presidente Arthur da Costa e Silva.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sobre a 2a Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Inclusão , Participação e Desenvolvimento-Um Novo Jeito de Avançar, foi o tema da 2a Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência,que foi encerrada ontem em Brasília, no Centro de Convenções Brasil 21,às 23h




A Conferência que contou na sua abertura com a presença do Ministro Paulo Vanucchi ,foi marcada pela diversidade de idéias mas tendo como norte a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que vigora em todo território nacional.



Foram quatro dias de debates intensos entre delegados vindos das mais diversas regiões,e a troca de idéias e informações interestaduais e intermunicipais enriqueceu e proporcionou aos participantes o conhecimento de questões que afetam as pessoas com deficiência em todos os cantos do Brasil,deixando claro que se já avançamos muito, ainda existe um longo caminho a percorrer para a construção da sociedade inclusiva que almejamos.



Educação,Acessibilidade,Trabalho,Reabilitação Profissional e Saúde foram os cinco eixos temáticos da Conferência e agora, com as propostas deliberadas pela plenária final,temos um quadro real de demandas, bem como um visão mais ampla sobre como as pessoas com deficiência estão interagindo e trabalhando para construção de uma sociedade acessível como um todo.



“Nada Sobre Nós Sem Nós” é o jeito de avançar. A protagonização para que as novas conquistas sejam efetivadas é o jeito de avançar e trabalhar com a realidade sem maquiagem é preciso para que os avanços aconteçam de forma consistente,mudando assim mentalidades e realidades.



Há um longo caminho a percorrer,um caminho que envolve sorrisos e lágrimas e o rompimento de nossas próprias barreiras atitudinais e comunicacionais,mas que certamente nos levará a grandes conquistas na luta pela inclusão plena de todas as pessoas com e sem deficiência, na nossa sociedade.



Claudia Grabois

Presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down

Começa no Senado a 4ª Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência

Edição de quarta-feira, 03 de dezembro de 2008

Jornal do SENADO


Especial
Começa no Senado a 4ª Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência


Serys (ao microfone) fala durante a abertura da semana em sessão presidida por Garibaldi Alves. No Plenário, Luca e Dorinha, personagens da Turma da Mônica com deficiências
A 4ª Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência, do Senado Federal, foi oficialmente aberta ontem em Plenário. Na ocasião, houve o lançamento do carimbo comemorativo e do selo personalizado do Programa de Acessibilidade do Senado.

Serys Slhessarenko (PT-MT) afirmou "já estar comprovada a capacidade dessas pessoas especiais". A senadora parabenizou Flávio Arns (PT-PR) por sua luta em defesa das pessoas com deficiência.

A legislação brasileira, mencionou Eduardo Suplicy (PT-SP), é uma das mais abrangentes e vai além do estabelecido pela Convenção da Organização das Nações Unidas para os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Aloizio Mercadante (PT-SP) citou projetos de sua autoria que beneficiam as pessoas com deficiência, já acolhidos pelo Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados. O parlamentar também defendeu a aprovação do projeto (PLS 141/08) que obriga a Casa da Moeda a incluir, nas cédulas brasileiras, elemento que possibilite a sua identificação por pessoa com deficiência visual.

Marcelo Crivella (PRB-RJ) lembrou os anos de escravidão da sociedade brasileira, que sofre também, salientou, com a exclusão dos pobres e com a perseguição às minorias, inclusive as religiosas. Ele elogiou a força das pessoas com deficiência, dizendo que a sua tenacidade na luta contra os obstáculos "é a maior lição" que se pode ter.

Por sua vez, Arthur Virgílio (PSDB-AM) cobrou a implantação de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento das potencialidades de quem tem "certas dificuldades perante a vida e certas diferenças em relação às pessoas comuns".

Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) pediu a construção de uma rampa de acesso à Mesa do Senado, no Plenário.

Também participaram da abertura, entre outros, Carlos Henrique Custódio, presidente dos Correios; Claudia Grabois, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down; o cartunista Mauricio de Sousa; o ator Marcos Frota; Ricardo Oliveira, campeão das Olimpíadas de Matemática das escolas públicas do Brasil; Solete Foizer, subsecretária de Informações e Turismo, representando o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Por tudo quanto é canto tem brasileiro comemorando o 20 de Novembro, dia Nacional da Consciência Negra no Brasil e devagarzinho este agito se alastra

Berlim, Colônia, Londres, Hamburgo, Nova Iguaçu, Pindamonhangaba, Arraial da Ajuda, Niterói, Pequim, Rio de Janeiro, São Paulo, Washington, Harlem , Johanisburg, Luanda, Maputo, Lisboa e mais e mais e mais....
Por tudo quanto é canto tem brasileiro comemorando o 20 de Novembro, dia Nacional da Consciência Negra no Brasil e devagarzinho este agito se alastra pelo "resto" do mundo.

Brasil que nos últimos 508 anos tem como seu maior produto de exportação cultural e filosófica, que é a miscigenação racial, começa a mostrar sua cara.

O Brasil que exportou os produtos de sua escravidão boazinha para o mundo ocidental, e a imagem de um país moderno, onde todos tem os direitos iguais no arco-íris multiracial para o "resto" do mundo, começa a se olhar nos espelhos de suas entranhas.

O Brasil que vendeu a imagens de seus "selvagens" para reis, rainhas e papas, começa a olhar sua cara de "bugre", e tira devagarzinho a roupagem do engano e do genocídio.

Isso é bom, isso é gostoso, dói um pouco como apertar um carnegão, mas o prenúncio do alívio nos faz apertar e exigir mais.

Nosso presidente da república vai ao Paço Imperial no dia de Zumbi de Palamares, anistiar simbolicamente o herói da revolta da chibata, João Cândido , na figura de sua estátua a ser inaugurada depois quase um século de vai e vem, prisão, tortura e desprezo.

Isso é bom, isso dá alívio lágrimas nos olhos, mas é pouco, queremos mais. Queremos ver o Brasil de todos se juntar a todos os "outros" amontoados nos porões do silêncioso racismo.

Esse é o nome minha gente que tem que ser falado, racismo.
Não se acaba com uma praga sem dar o nome a ela. O sol tapado com uma peneira começa a mostrar a cor marcada em nossas consciências.

Isso é bom minha gente, isso é bom demais , começar a reconhecer que não é o sapato e sim o calo que dói. Está na hora de arrancá-lo. Não dá para esperar.
Quase todo mundo gosta de feijoada e samba, e a maioria não dispensa uma mandioca e quando pode não dispensa uma tanguinha ou se mirar com suas miçangas indígenas no espelho.
Todos ou pelo menos a maioria dos brasileiros adoram os negros e os índios. Batem nos peito de orgulho por em algum momento de suas genealogias terem tido um pé na cozinha, ou uma avó caçada a laço.
Êta amor bêsta, e danado de bom, e safado!

Queremos mais deste amor pela gente, pois chega da acordar das festas com o sabor de fel na bôca e com a barriga roncando de fome de ser pessoa humana completa.
Queremos ver os que dizem amar os negros e índios do Brasil, arregaçarem as mangas prá fecharem este fosso que nos mantém distantes uns dos outros depois dos tres dias de carnaval, quando voltamos para os subúrbios do dia a dia, enquanto vocês se sentam a matutar porque a vida é tão sem sentido, e o mundo tão cruel.

Nós não temos mais tempo a perder com suas tristezas existenciais e perguntas sobre a origem genética do bicho homem, pois somos obrigados a cada dia a massagearmos nossas almas e barrigas, com o nosso riso para nos encaramos e continuarmos a dizer que somos bichos humanos.

Nós nunca tivemos dúvida de que pertencemos à humanidade.

E é esse o produto que temos a vender neste mundo "pósracial" e neoliberal" (as duas grandes mentiras do 3°milênio), o produto que é termos mantido nossa humanidade e individualidade, mesmo debaixo do ferro e fogo do racismo e neoracismo que teimam em não reconhecer nossas existências, como agora se fala no Brasil do preto lá das América, que é tão bom que já é branco.

Nós queremos compartilhar nossas dúvidas sobre o que é melhor para o Brasil e mundo com todos, pura e simplemente com todos.

O primeiro passo é reconhecer o racismo que nos atinge a todos, pois o racismo é uma máquina de mão única , eliminatória e genocida. O racismo começa elimando o branco “standard” em sua humanidade, e chega até as entranhas de todos os "outros", que mesmo para se defenderem assumam esta via de mão única que é o negar a si mesmo.
Desde que somos um bicho com consciência não há mais desculpas, pois matar o outro é sempre matar uma parte de nós mesmos.

O segundo passo que levará a caminhos que nem imagino, é botar junto as mãos na frigideira para arrancar as soluções para vivermos juntos em paz e igualdade, o que talvez não seja tão complicado pois já estamos acostumados a conviver no medo, ódio, distância e desconhecimento do outro nestes 508 anos.

Eu continuo de braços abertos e vou continuar assim, talvez por ser um sonhador ou já cedo ter sido infectado pelo vírus da liberdade espalhados no Quilombo de palmares e pelos revoltosos contra a chibata.

E prá não ficar só na falação já começo propondo à comunidade de brasileiros na Alemanha e à Embaixada Brasileira que tenhamos uma uma representação dos interesses dos negros e indios brasileiros na Embaixada Brasileira de Berlim. Pode ser um início para que o Ministério da Igualdade Racial no Brasil, comece a fazer um plano Marshal/Zumbi, para que todas os ministérios e as empresas brasileiras tenham um ouvidor par acompanhar a integração destas minorias majoritárias no sistema de trabalho, educacional e de poder no Brasil.

E prá não ficar só no oficial, que cada um brasileiro comece a perguntar porque é que não tem nenhum indio ou negro em qualquer direção associação esportiva, cultural, religiosa e econômica.
E pra garotada das escolas privadas, que comecem a perguntar prá onde é que foi o “neguinho” simpático que nunca sentou ao seu lado nas escolas de elites.

E já sugiro um nome para esta campanha sem prazo pra terminar:
Cadê eles?

pois bem asé e mãos a obras e vamos dançar para pensar com o mix de nossa parceira a Rádio Sacy, lá de Berlim.
http://www.mixwit.com/ras_adauto/new-mix
marcos romao
jornalista e sociólogo

Poeta explica por que comemorar Dia da Consciência Negra em 20 de novembro

João Carlos Rodrigues
Repórter da Agência Brasil



Brasília - Em plena ditadura militar, um pequeno grupo de cidadãos negros costumava se reunir no centro de Porto Alegre para discutir a situação dos descendentes de africanos no Brasil. Nessas conversas, eles concluíram que o 13 de maio – Dia da Abolição da Escravatura, assinada pela princesa Isabel em 1888 – não tinha maior significado. Era preciso, então, encontrar uma nova data para reverenciar a luta da população negra brasileira e enaltecer sua participação na sociedade. Nascia, assim, o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra – data de evocar a figura de Zumbi e o Quilombo de Palmares e de discutir a situação do negro no país.


Entre os participantes do grupo estava o poeta, professor de português e militante da causa negra Oliveira Silveira. Foi ele quem sugeriu que o 20 de novembro – data da morte de Zumbi do Palmares – fosse adotado como dia de celebração da luta da comunidade negra brasileira. Sete anos depois, o Movimento Negro Unificado contra Discriminação Racial (MNUDR) oficializou o 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra.

Ex-integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Oliveira Silveira já publicou vários livros. Também é autor do capítulo 20 de novembro, história e conteúdo, do livro Educação e Ações Afirmativas: entre a Injustiça Simbólica e a Injustiça Social, organizado pelos professores Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e Valter Roberto Silvério, da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo.

Nesta semana, Oliveira Silveira conversou por telefone, de Porto Alegre, com a Agência Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista na qual ele relembra como surgiu o 20 de novembro, avalia a atuação do movimento negro brasileiro, condena a miscigenação e adverte: “O racismo não desaparece. Pode até se aquietar, mas sempre está vivo e atuante.”


Agência Brasil: Por que o movimento negro gaúcho resolveu buscar uma nova data para reverenciar a luta dos negros contra o regime escravagista, em substituição ao 13 de maio?
Oliveira Silveira: Isso ocorreu em 1971. Estávamos insatisfeitos com o 13 de maio. Havia um grupo de negros que se reunia na Rua da Praia [no centro de Porto Alegre] e o nosso assunto, invariavelmente, era a questão negra e o fato de o 13 de maio não ter maior significação para nós. Logo, surgiu a idéia de que era preciso encontrar outra data. Eu, como gostava de pesquisar, aprofundei-me nisso. E encontrei material, cuja fonte era Édison Carneiro, autor do livro O Quilombo dos Palmares, indicando que Zumbi dos Palmares havia sido morto em 20 de novembro [de 1695]. Essa informação foi confirmada no livro As guerras dos Palmares, do português Ernesto Ennes, no qual foram transcritos documentos. Já que não sabíamos o dia de seu nascimento ou do início de Palmares, tínhamos pelo menos a data da morte de Zumbi, o último rei do quilombo de Palmares, Alagoas. Então, promovemos uma reunião, que originou o Grupo Cultural Palmares, cuja idéia era fazer um trabalho para reverenciar Palmares e Zumbi como algo mais representativo que 13 de maio.

ABr: Qual a crítica que vocês faziam e ainda fazem ao 13 de maio?
Oliveira: Nós vimos logo que o 13 de maio teve conseqüências práticas. Não havia medidas efetivas voltadas à comunidade negra. Foi uma liberdade que apareceu apenas na lei e nada de concreto ocorreu depois. Ao mesmo tempo, era uma data oficial, que o oficialismo governamental queria que fosse comemorada, celebrada, com homenagens à princesa Isabel. Ao passo que Palmares significava uma liberdade conquistada na luta, que durou um século inteiro, e, por isso, era plena de significado. Os homens e mulheres quilombolas fizeram um trabalho de resistência, de afirmação da dignidade humana sem precedentes, de luta pela defesa da liberdade. Então, não havia dúvidas de que aquela era a principal passagem da história do negro no Brasil.


ABr: Quando foi realizado o primeiro ato para reverenciar Zumbi e Palmares?
Oliveira: Como o Grupo Palmares havia se disposto a trabalhar a partir de datas e já estávamos em julho de 1971, resolvemos homenagear primeiro o poeta e abolicionista Luiz Gama, que morreu em 24 de agosto, e mais adiante, em outubro, homenageamos o nascimento do poeta e abolicionista José do Patrocínio. Em novembro, fizemos a homenagem a Palmares. À época, o Grupo Palmares tinha quatro pessoas e depois entraram mais duas mulheres. Por isso, consideramos que o grupo fundador foi formado por seis pessoas, que fizeram esse trabalho em 1971, quando homenageamos Luiz Gama, Patrocínio e Zumbi e Palmares. O Grupo Palmares realizou, então, no Clube Náutico Marcílio Dias, em Porto Alegre, o primeiro ato evocativo a Zumbi e a Palmares. Foi o início de um trabalho que teve continuidade ao longo dos anos.

ABr: Quando o restante do país começou a reverenciar o 20 de novembro?
Oliveira: Inicialmente foi só o Rio Grande do Sul, mas graças à divulgação, com o apoio da imprensa, a data foi se tornando conhecida. Em 1975 e 1976, São Paulo, com grupos de teatro de Campinas e da capital paulista, e o Rio de Janeiro começaram a celebrar o 20 de novembro. De modo que foi se implantando o 20 de novembro no país. Até que em 1978 surgiu a idéia de formar o coletivo de organizações negras denominado MNUDR – Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial. Foi a tentativa de uma organização que reunia algumas entidades, entre as quais algumas já celebravam o 20 de novembro. No final de 1978, numa assembléia na Bahia, foi proposta a denominação de Dia Nacional da Consciência Negra em 20 de novembro. Foi uma idéia feliz de Paulo Roberto dos Santos, um militante do Rio de Janeiro. Então, aquilo fez com que o 20 de novembro se consolidasse [como data de celebração a Zumbi e a Palmares e de afirmação da comunidade negra brasileira], mas foi um trabalho contínuo do Grupo Palmares. Foi também o coroamento de um trabalho realizado no Rio Grande do Sul pelo Grupo Palmares e que se tornou importante, porque foi adotado pelo movimento negro em nível nacional.


ABr: O que representou o resgate da figura de Zumbi e do quilombo de Palmares na luta do negro em busca da cidadania plena e de sua auto-estima?
Oliveira: Foi extremamente significativo, porque o 20 de novembro se mostrou como algo com uma força aglutinadora muito grande. Com isso, muitos grupos se formaram e muitas atividades passaram a ser desenvolvidas. Em São Paulo, por exemplo, criou-se o Festival Comunitário Negro Zumbi, que promovia atividades em cidades do interior. Foi uma motivação muito positiva, especialmente pela mensagem, uma coisa mais afirmativa do que o 13 de maio.

ABr: Como o senhor explica que o resgate histórico de Zumbi e do quilombo dos Palmares tenha começado justamente num estado de maioria branca, como o Rio Grande do Sul, com forte presença de imigrantes de origem européia?
Oliveira: Parece até algo meio milagroso que o segmento negro tenha resistido nos estados do Sul. Antes, a Região Sul era considerada essa parte que vai do Rio Grande do Sul a São Paulo. E foi onde a imigração se localizou preponderantemente. Então, houve uma política voltada para essa região. Foi a política do branqueamento, que trouxe imigrantes e deixou de lado e de fora o indígena e o negro, a partir do século 17. Essa política poderia ter eliminado o segmento negro, mas ele resistiu. Eu considero que os imigrantes vieram como convidados e também interessados. Tiveram depois grande participação, grandes oportunidades e apoio logístico, inclusive de seus países. De modo que eles se desenvolveram muito aqui. Eles não podem ser isentados de culpa ou qualquer coisa nesse gênero, porque, na verdade, são beneficiários da nossa exclusão, da tentativa de exclusão de negros e indígenas.

ABr: Como o senhor avalia a atuação do movimento negro hoje e a inserção do negro na sociedade brasileira?
Oliveira: Foi um processo. O movimento foi se desenvolvendo. Vieram novas fases. Tivemos aquela primeira fase, de 1971 a 1978, que eu chamo de virada histórica. Depois, uma fase de surgimento de organizações e de aproximação com o poder, com o governo e a participação na [Assembléia] Constituinte de 1988. A partir da nova Constituição, temos uma nova fase, na qual o movimento tem uma linha mais prática. Já temos experimentações muito importantes, com participação no governo. Temos a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial [Sepir] e a Fundação Palmares. São instâncias que nos permitem uma experiência muito válida. Então, o movimento avança. E, com a política de cotas nas universidades, estamos dando passos importantes e necessários.

ABr: O Brasil se intitula como a maior democracia racial do mundo. Como o senhor analisa isso?
Oliveira: A democracia racial é um mito trabalhado especialmente em função dessa política de branqueamento, que nunca foi revogada. A miscigenação é apresentada como uma coisa positiva, mas, na verdade, não é. No Brasil, existe preconceito, discriminação na prática, existe racismo. É um país reconhecidamente racista. Isso é oficialmente reconhecido. Eu acredito que o racismo não é uma coisa que desapareça, que possa ser eliminado. Ele pode se aquietar, mas lá pelas tantas está vivo, forte e atuante.

Fonte-Agência Brasil