O depoimento do crimonoso e torturador Jimenez é mais uma afronta não apenas para familiares de mortos e desaparecidos, mas uma grande ofensa à sociedade civil organizada e a todos que lutaram e lutam pelo Brasil democrático.
Mas aos poucos mais fatos são revelados e novas informações e novos crimes ainda serão descobertos.
Jimenez não esta arrependido e se considera herói,acredita que "estava a trabalho" e "merece indenização". Disse como matou e torturou, informando nomes conhecidos e desconhecidos,relata a morte de Osvaldão.
Seu depoimento arrogante e sem arrependimento demonstra o estado de terror em que foi mergulhada a nossa sociedade há pouco tempo atrás.
Nossos jovens e crianças precisam aprender a história real, a face verdadeira da ditadura militar,que matou centenas de pessoas em todo país.
Não há perdão para a tortura e o direito à memória e a verdade deve prevalecer.
Depoimentos como o do torturador Jimenez nos enchem de angústia e também nos fortalecem, para que sigamos na luta pela responsabilização dos torturadores,pelos seus crimes cometidos contra a humanidade.
Pelo direito à memória e à verdade!
Claudia Grabois
redeinclusiva@gmail.com
Militar que combateu no Araguaia admite que "a ordem era matar"
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília - "A ordem era matar e perguntar depois”, disse o ex-chefe do grupo de combatentes do Exército na Guerrilha do Araguaia, José Vargas Jimenez, em depoimento, hoje (3), na Comissão sobre Anistia na Câmara dos Deputados. Na época da guerrilha, Chico Dólar, apelido pelo qual era conhecido, era terceiro-sargento do Exército.
Ele confessou hoje ter torturado várias pessoas e deu detalhes do tratamento dispensado àqueles que não resistiam e morriam.
“Como não podíamos carregar os mortos pela selva, a gente deixava pelo caminho. A única precaução era cortar a cabeça e as duas mãos para impossibilitar a identificação da vítima”, relatou.
O depoimento de Jimenez provocou reação em familiares de vítimas da ditadura militar, que acompanharam a reunião. Alguns chegaram a interromper o depoimento chamando o ex-militar de torturador e se indignaram no momento em que ele disse acreditar que tem direito de receber uma indenização do Estado devido aos serviços prestados durante a guerrilha.
“Eu sou um herói do Araguaia. Eu acho que mereço uma indenização. Trabalhei lá por seis anos”, disse o militar que atualmente está na reserva. “Foi uma guerra. Guerra é guerra e afeta todo mundo. Sei que tem gente sofrendo. Do nosso lado [Exército] também tem gente sofrendo”, justificou.
Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), o depoimento de Jimenez trouxe informações importantes que poderão ser cruzados com dados que a comissão já reuniu.
“Ele trouxe um número de mortos que é bem maior do que nós tínhamos informações. Além disso, pela primeira vez, ele reconheceu que torturou e que, além de militantes, houve também camponeses mortos”, destacou o deputado.
Jimenez chegou a citar nomes de pessoas, cuja morte ele disse ter presenciado no Araguaia, ressalvando que saiu da guerrilha muito antes dela terminar e por isso não tinha condições de saber se algumas pessoas tidas hoje como desaparecidas realmente foram mortas.
Entre os nomes citados por Jimenez estão o Piauí (Antônio de Pádua), até hoje dado com desaparecido, Zezinho, que seria um camponês assassinado em meio a guerrilha, e outras pessoas conhecidas pelos pseudônimos de Alfredão, Nunes e Sônia.
O ex-militar ainda deu uma outra versão para a morte do líder Oswaldão, que após ser morto, teve o corpo arrastado por um helicóptero do Exército por toda região do Araguaia.
“Ele caiu do helicóptero e ficou preso pela corda. Aí resolveram [os militares] arrastá-lo para mostrar para todos que ele havia sido morto.
Em seu depoimento, Jimenez chegou a citar integrantes do governo como pessoas que lutaram contra a ditadura militar e que estavam na lista de pessoas procuradas pelo Exército.
“Muitos do que estão aí hoje no poder eram combatentes. “A ministra Dilma [Dilma Rousseff, da Casa Civil], Tarso Genro [Justiça] e o Minc [Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente] eram todos procurados”, destacou.
Outro nome citado por Jimenez em seu depoimento foi o do coronel Sebastião Rodrigues de Moura, o Sebastião Curió, que era responsável pelo trabalho de inteligência militar no combate à guerrilha. Ele utilizava as informações obtidas de guerrilheiros capturados por meio de tortura.
Curió foi para o sul da Amazônia para combater nas décadas de 1960 e 1970, e nunca mais retornou, virando liderança política na região. Ele chegou a fundar a cidade de Curionópolis, no sul do Pará, da qual foi prefeito.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008
terça-feira, 4 de novembro de 2008
"Prazer. Sou ex-torturador!" Blog do Noblat
Fonte: Blog do Noblat
por Emanuel Rego Lima -
Opinião de leitor
"Prazer. Sou ex-torturador!"
Conheço vários "ex-subversivos"; "ex-guerrilheiros" e até "ex-terroristas".
Não conheço nenhum "ex-torturador"...
Como explicar isso?
Creio que a tortura é uma ação tão vil, tão infamante que até o próprio torturador se nega a declarar publicamente tê-la praticado.
O que dirão os filhos de um "ex-torturador"?
Os filhos dos ex-terroristas estão aí. Muitos até admiram publicamente os atos dos pais!
Mesmo os notórios acusados de tortura sempre se recusaram a reconhecer seus feitos, a despeito da anistia.
Ter torturado alguém, por mais razões de ordem política, estratégica, de segurança que se queira dar, é tão cruel, tão desumano, tão bestial, que nenhum torturador suporta a idéia de trazer isso à luz.
São e serão sempre torturadores. Nunca "ex". Nunca passado! Nunca perdão. Nunca esquecimento. Nunca paz!
Essa é a pena que terão de cumprir. Até a morte. Até o fim dos tempos!
por Emanuel Rego Lima -
Opinião de leitor
"Prazer. Sou ex-torturador!"
Conheço vários "ex-subversivos"; "ex-guerrilheiros" e até "ex-terroristas".
Não conheço nenhum "ex-torturador"...
Como explicar isso?
Creio que a tortura é uma ação tão vil, tão infamante que até o próprio torturador se nega a declarar publicamente tê-la praticado.
O que dirão os filhos de um "ex-torturador"?
Os filhos dos ex-terroristas estão aí. Muitos até admiram publicamente os atos dos pais!
Mesmo os notórios acusados de tortura sempre se recusaram a reconhecer seus feitos, a despeito da anistia.
Ter torturado alguém, por mais razões de ordem política, estratégica, de segurança que se queira dar, é tão cruel, tão desumano, tão bestial, que nenhum torturador suporta a idéia de trazer isso à luz.
São e serão sempre torturadores. Nunca "ex". Nunca passado! Nunca perdão. Nunca esquecimento. Nunca paz!
Essa é a pena que terão de cumprir. Até a morte. Até o fim dos tempos!
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Torturadores derretem diante da
Torturadores derretem diante da luz *
** *Ministro Paulo Vannuchi** *
*"Torturadores e repressores, como os vampiros, derretem diante da luz",
afirmou o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo
Vannuchi, ao abrir na segunda-feira, à noite, o evento "1968 Vou Ver", no
salão nobre do Centro Universitário Maria Antonia. "68 é um ano de muitos
eventos e resgatá-lo é, sobretudo, resgatar a memória porque ela é elemento
constitutivo essencial e indispensável dos povos", completou o ministro.*
*Vannuchi recordou os fatos marcantes de outubro daquele ano - a morte do
estudante José Guimarães na batalha da rua Maria Antonia, e as prisões de
mais de 700 pessoas no 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em
Ibiúna.
Outro fato lembrado pelo ministro foi o atentado ocorrido no Riocentro, em
30 de abril de 1981, quando a explosão de uma bomba matou o sargento
Guilherme do Rosário, e feriu o capitão Wilson Machado.
A ditadura responsabilizou a esquerda pelo atentado, mas investigações
posteriores, provaram que a bomba estava no colo do sargento e que os dois
militares pretendiam colocá-la para explodir na casa de força do centro de
convenções, onde se realizava um show comemorativo do 1º de maio reunindo
milhares de pessoas. A ditadura jamais admitiu ou aceitou que seus agentes
fossem praticar o atentado.
"No Brasil, ainda não foi feito esse resgate. As Forças Armadas ainda não
foram capazes de, explicitamente, desautorizar aquela farsa e dizer que
aquele inquérito, conduzido pelo coronel Job Lorena, foi uma farsa",
destacou Vannuchi referindo-se ao IPM conduzido pelo coronel Job e que
atribuiu à esquerda a autoria do atentado.
Vanucchi comentou que nunca é tarde para rever e reexaminar fatos como esse
e frisou: "sem sentimento de retorno ao passado, nem de revanche, nem
vingança. Mas a grande vingança e a grande punição é dar luz, jogar luz. Os
torturadores e repressores, como os vampiros, derretem diante da luz". O
ministro também confirmou que segue no governo a discussão sobre a abertura
dos arquivos da ditadura:
"Houve uma reunião, não conclusiva, mas extremamente importante, convocada
pelo presidente da República com os ministros da Defesa, da Justiça, da Casa
Civil para discutirmos o encaminhamento de uma nova lei de arquivos, e a
abertura dos existentes. (..).Foi uma reunião positiva em que se afirmou,
consensualmente, a idéia de que é preciso demonstrar, claramente, que o
governo brasileiro apóia o esforço para localização de pessoas, e que terá
de manter diálogo com os responsáveis por aquele período repressivo para
que, de alguma maneira, ocorra pelo menos a localização de restos mortais de
140 brasileiros – cujas famílias não tiveram sequer o direito elementar de
dar-lhes sepultura".*
** *Ministro Paulo Vannuchi** *
*"Torturadores e repressores, como os vampiros, derretem diante da luz",
afirmou o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo
Vannuchi, ao abrir na segunda-feira, à noite, o evento "1968 Vou Ver", no
salão nobre do Centro Universitário Maria Antonia. "68 é um ano de muitos
eventos e resgatá-lo é, sobretudo, resgatar a memória porque ela é elemento
constitutivo essencial e indispensável dos povos", completou o ministro.*
*Vannuchi recordou os fatos marcantes de outubro daquele ano - a morte do
estudante José Guimarães na batalha da rua Maria Antonia, e as prisões de
mais de 700 pessoas no 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em
Ibiúna.
Outro fato lembrado pelo ministro foi o atentado ocorrido no Riocentro, em
30 de abril de 1981, quando a explosão de uma bomba matou o sargento
Guilherme do Rosário, e feriu o capitão Wilson Machado.
A ditadura responsabilizou a esquerda pelo atentado, mas investigações
posteriores, provaram que a bomba estava no colo do sargento e que os dois
militares pretendiam colocá-la para explodir na casa de força do centro de
convenções, onde se realizava um show comemorativo do 1º de maio reunindo
milhares de pessoas. A ditadura jamais admitiu ou aceitou que seus agentes
fossem praticar o atentado.
"No Brasil, ainda não foi feito esse resgate. As Forças Armadas ainda não
foram capazes de, explicitamente, desautorizar aquela farsa e dizer que
aquele inquérito, conduzido pelo coronel Job Lorena, foi uma farsa",
destacou Vannuchi referindo-se ao IPM conduzido pelo coronel Job e que
atribuiu à esquerda a autoria do atentado.
Vanucchi comentou que nunca é tarde para rever e reexaminar fatos como esse
e frisou: "sem sentimento de retorno ao passado, nem de revanche, nem
vingança. Mas a grande vingança e a grande punição é dar luz, jogar luz. Os
torturadores e repressores, como os vampiros, derretem diante da luz". O
ministro também confirmou que segue no governo a discussão sobre a abertura
dos arquivos da ditadura:
"Houve uma reunião, não conclusiva, mas extremamente importante, convocada
pelo presidente da República com os ministros da Defesa, da Justiça, da Casa
Civil para discutirmos o encaminhamento de uma nova lei de arquivos, e a
abertura dos existentes. (..).Foi uma reunião positiva em que se afirmou,
consensualmente, a idéia de que é preciso demonstrar, claramente, que o
governo brasileiro apóia o esforço para localização de pessoas, e que terá
de manter diálogo com os responsáveis por aquele período repressivo para
que, de alguma maneira, ocorra pelo menos a localização de restos mortais de
140 brasileiros – cujas famílias não tiveram sequer o direito elementar de
dar-lhes sepultura".*
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Tortura Nunca Mais
Processo da família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, assassinado em 1971, no DOI-CODI de São Paulo, contra o coronel Brilhante Ustra
JULGAMENTO DO RECURSO DO CORONEL USTRA SERÁ NA TERÇA-FEIRA, DIA 23 DE SETEMBRO, ÀS 13 HS. NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
A família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, assassinado em 19 julho de 1971 nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo, está movendo uma ação declaratória na área cívil contra o coronel reformado do Exército Brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra. A ação, subscrita pelos advogados Fábio Konder Comparato e Anibal Castro de Sousa, não pretende nenhuma indenização pecuniária.
Angela Mendes de Almeida, ex-companheira do jornalista, e Regina Merlino Dias de Almeida, sua irmã, pretendem apenas o reconhecimento moral de que ele foi morto em decorrência das terríveis torturas que sofreu nas dependências do DOI-CODI de São Paulo. O coronel Ustra foi comandante daquele destacamento de outubro de 1969 a dezembro de 1973. Durante esse período estiveram presas nessa unidade cerca de 2 mil pessoas. Entre elas, 502 denunciaram torturas e pelo menos 40 foram assassinadas.
Luiz Eduardo Merlino tinha 23 anos e havia trabalhado no Jornal da Tarde, na Folha da Tarde e no Jornal do Bairro, bem como no jornal alternativo Amanhã. Era militante do POC (Partido Operário Comunista) e acabava de voltar de uma viagem à França, feita para estreitar contatos com a IV Internacional. Foi preso em casa de sua mãe, em Santos, dia 15 de julho de 1971, levado para o DOI-CODI de São Paulo, na Rua Tutóia, onde, conforme o livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça, "foi torturado por cerca de 24 horas ininterruptas e abandonado numa solitária, a chamada 'cela-forte', ou 'x-zero' " (Brasília, 2007, pp. 169-170). Em 19 de julho a família recebeu a notícia de que ele se havia suicidado, jogando-se embaixo de um carro na BR-116, na altura de Jacupiranga, quando estaria sendo conduzido ao Rio Grande do Sul para "reconhecer" companheiros. O laudo necroscópico atestando esta versão foi assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini. Porém o corpo não aparecia. Apesar disso familiares localizaram o corpo de Merlino no IML de São Paulo, com marcas de tortura, em uma gaveta, sem nome. Depois disso o caixão foi entregue à família fechado.
A ação, proposta em 22 de outubro de 2007, foi acolhida em 8 de abril pelo juiz, Dr. Carlos Abrão e corria na 42ª Vara Cível do Foro Central, estando a audiência das testemunhas já marcada para 13 de maio. Mas o Tribunal de Justiça de São Paulo acatou um recurso (agravo de instrumento) dos advogados de Ustra, suspendendo o processo. Em 29 de julho foi iniciado o julgamento desse recurso com o voto favorável ao coronel Ustra apresentado pelo desembargador Luiz Antonio de Godoy, pela suspensão do processo. Em 12 de agosto o desembargador De Santi Ribeiro deu um voto favorável ao seguimento do processo e agora o desempate está nas mãos do desembargador Elliot Akell, que apresentará seu voto dia 23 de setembro. Qualquer que seja o resultado, a família continuará lutando para que a Justiça reconheça a responsabilidde do coronel Ustra na morte sob tortura de Merlino.
JULGAMENTO DO RECURSO DO CORONEL USTRA SERÁ NA TERÇA-FEIRA, DIA 23 DE SETEMBRO, ÀS 13 HS. NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
A família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, assassinado em 19 julho de 1971 nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo, está movendo uma ação declaratória na área cívil contra o coronel reformado do Exército Brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra. A ação, subscrita pelos advogados Fábio Konder Comparato e Anibal Castro de Sousa, não pretende nenhuma indenização pecuniária.
Angela Mendes de Almeida, ex-companheira do jornalista, e Regina Merlino Dias de Almeida, sua irmã, pretendem apenas o reconhecimento moral de que ele foi morto em decorrência das terríveis torturas que sofreu nas dependências do DOI-CODI de São Paulo. O coronel Ustra foi comandante daquele destacamento de outubro de 1969 a dezembro de 1973. Durante esse período estiveram presas nessa unidade cerca de 2 mil pessoas. Entre elas, 502 denunciaram torturas e pelo menos 40 foram assassinadas.
Luiz Eduardo Merlino tinha 23 anos e havia trabalhado no Jornal da Tarde, na Folha da Tarde e no Jornal do Bairro, bem como no jornal alternativo Amanhã. Era militante do POC (Partido Operário Comunista) e acabava de voltar de uma viagem à França, feita para estreitar contatos com a IV Internacional. Foi preso em casa de sua mãe, em Santos, dia 15 de julho de 1971, levado para o DOI-CODI de São Paulo, na Rua Tutóia, onde, conforme o livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça, "foi torturado por cerca de 24 horas ininterruptas e abandonado numa solitária, a chamada 'cela-forte', ou 'x-zero' " (Brasília, 2007, pp. 169-170). Em 19 de julho a família recebeu a notícia de que ele se havia suicidado, jogando-se embaixo de um carro na BR-116, na altura de Jacupiranga, quando estaria sendo conduzido ao Rio Grande do Sul para "reconhecer" companheiros. O laudo necroscópico atestando esta versão foi assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini. Porém o corpo não aparecia. Apesar disso familiares localizaram o corpo de Merlino no IML de São Paulo, com marcas de tortura, em uma gaveta, sem nome. Depois disso o caixão foi entregue à família fechado.
A ação, proposta em 22 de outubro de 2007, foi acolhida em 8 de abril pelo juiz, Dr. Carlos Abrão e corria na 42ª Vara Cível do Foro Central, estando a audiência das testemunhas já marcada para 13 de maio. Mas o Tribunal de Justiça de São Paulo acatou um recurso (agravo de instrumento) dos advogados de Ustra, suspendendo o processo. Em 29 de julho foi iniciado o julgamento desse recurso com o voto favorável ao coronel Ustra apresentado pelo desembargador Luiz Antonio de Godoy, pela suspensão do processo. Em 12 de agosto o desembargador De Santi Ribeiro deu um voto favorável ao seguimento do processo e agora o desempate está nas mãos do desembargador Elliot Akell, que apresentará seu voto dia 23 de setembro. Qualquer que seja o resultado, a família continuará lutando para que a Justiça reconheça a responsabilidde do coronel Ustra na morte sob tortura de Merlino.
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